SEGURANÇA
13 de julho de 2026 às 15:00:00
A economia no condomínio vale o risco de uma falha para a segurança do morador?
Por: da Redação
Divulgação

“No papel era lindo”, contou uma moradora, que pediu para não ser identificada. “A economia é real, mas no dia a dia, a gente vê fragilidades
Moradores contam histórias de invasões, entregas perdidas e a angústia de ficar na mão quando a tecnologia falha. Com tantas dúvidas, uma pergunta que muitos se fazem é quem paga a conta quando a portaria virtual não funciona?
No início, para muitos, a mudança foi recebida como um alívio no orçamento. A promessa de contas mais baixas e a modernização da segurança fizeram a portaria virtual se espalhar pelos condomínios como um rastilho de pólvora. Mas, na prática, a rotina de quem mora nesses lugares tem revelado que a tecnologia, por mais avançada que seja, não está imune a falhas e a conta, muitas vezes, pode sair mais cara do que o esperado.
“No papel era lindo”, contou uma moradora, que pediu para não ser identificada. “A economia é real, mas no dia a dia, a gente vê fragilidades. Outro dia, a internet caiu e ficamos travados. Como que a central vai liberar a entrada de uma ambulância se não tem sinal?”
Essa história é mais comum do que se imagina. A dependência da tecnologia expõe os condomínios a riscos que vão do cotidiano ao emergencial. Os relatos se repetem com a liberação indevida de visitantes, falhas no sistema de reconhecimento facial, panes nos portões eletrônicos que deixam moradores presos para fora, e a eterna novela das entregas - quando o motoboy toca o interfone e ninguém atende na central, ou o armário ‘inteligente’ está cheio.
O síndico e o morador pagam o pato?
A principal dúvida que ecoa nas assembleias e grupos de WhatsApp é se acontecer uma invasão ou furto por uma falha do sistema, quem assume o prejuízo? De acordo com a análise jurídica, do escritório Faustino e Teles, especializado em Direito Condominial, a contratação de uma empresa de portaria virtual não isenta o condomínio de sua responsabilidade. A administração, na figura do síndico e da gestão, mantém o dever de fiscalizar o serviço contratado.
“A terceirização da operação não elimina completamente a responsabilidade da administração”, como bem aponta a análise técnica, contou o advogado Faustino Teles. Ou seja, se ficar comprovado que houve negligência na contratação, ausência de manutenção ou que a gestão ignorou riscos previsíveis, o condomínio pode, sim, ser responsabilizado judicialmente.
Isso gera um dilema para o morador e para o síndico. Afinal, a busca pela economia - que muitos defendem como essencial - pode estar criando uma zona de risco. O especialista comentou que a folha de pagamento pode representar até 70% da taxa condominial em prédios pequenos, e a portaria virtual surge como a solução mais óbvia para reduzir esse peso. No entanto, a pergunta que muitos preferem não responder: o barato, nesse caso, pode realmente sair caro?
Nenhuma tecnologia funciona adequadamente quando a cultura interna do condomínio ignora regras básicas de segurança. O hábito de compartilhar senhas, liberar acesso para desconhecidos e ignorar os protocolos de segurança são práticas que inviabilizam até o sistema mais moderno.



