SEGURANÇA
6 de julho de 2026 às 17:00:00
Crise hídrica em SP: o que os síndicos precisam saber para proteger o condomínio
Por: da Redação
Foto: Jo Capusso

A redução de pressão na rede da Sabesp já afeta moradores de diversos bairros.
O cenário é de alerta. O Sistema Cantareira, que abastece a capital e a região metropolitana de São Paulo, opera em nível crítico, com apenas 19,3% de sua capacidade . Em comparação, no mesmo período do ano passado, o volume estava em 50,6% . A situação levou a Sabesp a adotar medidas preventivas, como a redução da pressão na rede de distribuição entre 19h e 5h — e os reflexos já chegam aos condomínios.
Moradores de diferentes regiões relatam dificuldades para tomar banho, lavar roupas ou cozinhar no período noturno . Em um condomínio na Lapa (zona oeste), a caixa d'água deixou de dar conta da alta demanda causada pelo verão, e os seis apartamentos ficam sem água à noite . Na zona sul, um empreendimento com mais de 700 unidades em Santo Amaro enfrenta o problema há quase um mês, com a administração recorrendo a caminhões-pipa — uma solução que onera os condôminos .
“Imóveis distantes dos reservatórios de distribuição ou em regiões mais altas da cidade tendem a sofrer mais com a restrição noturna”, explica Alexandre Marques, gerente de Operação da Sabesp . A companhia reforça que a medida é preventiva e temporária, mas admite que residências sem caixa d'água adequada percebem mais os efeitos .
O impacto direto nos condomínios
Para síndicos e administradoras, a crise exige atenção redobrada. A Associação das Administradoras de Bens Imóveis e Condomínios de São Paulo (AABIC) já emitiu orientações destacando que os condomínios precisam estar com seus sistemas de armazenamento em perfeito funcionamento para evitar que moradores enfrentem dificuldades na rotina diária .
O presidente da AABIC, Omar Anauate, ressalta: “É necessário que os condomínios estejam com suas caixas d'água e sistemas de armazenamento em perfeito funcionamento quando ocorrer a redução da pressão da água. Uma manutenção preventiva bem-feita evita perdas e garante maior segurança no abastecimento em momentos de restrição.”
Além disso, a comunicação com os moradores se torna essencial. O Sindicond, entidade que representa síndicos paulistas, aponta que a falta de aviso prévio sobre interrupções é uma das principais queixas em bairros como Vila Mariana e Butantã . A entidade busca colaboração com as autoridades para melhorar a divulgação de manutenções programadas .
Medidas práticas para os síndicos
Diante desse cenário, especialistas e entidades recomendam um plano de ação :
Infraestrutura e armazenamento
Verificar a capacidade e o estado das caixas d'água. A recomendação é que o reservatório suporte pelo menos 24 horas de consumo do condomínio.
Instalar bloqueadoras de ar nos hidrômetros. Com a redução de pressão, a tubulação pode se encher de ar, fazendo com que hidrômetros analógicos registrem consumo mesmo sem água .
Avaliar investimentos em tecnologias economizadoras: arejadores em torneiras, válvulas redutoras de vazão e sensores de presença em áreas coletivas .
Conscientização dos moradores
Criar campanhas internas com orientações claras sobre redução de banho, fechamento de torneiras e reutilização de água .
Estabelecer canais diretos de comunicação com os moradores para disseminar informações sobre eventuais interrupções .
A crise atual escancara a vulnerabilidade hídrica da região. O governo estadual descarta por ora a necessidade de rodízio, mas a situação é monitorada diariamente . Para os condomínios, a mensagem é clara: a prevenção e o planejamento são as melhores ferramentas para enfrentar um cenário que, segundo especialistas, tende a se repetir com mais frequência .
Cabe aos síndicos agir agora — antes que a água falte de vez.



