Mercado
30 de junho de 2026 às 16:15:00
Os golpes mais recorrentes que expõem vulnerabilidades na compra ou venda de imóvel
Por: da Redação
Foto: Arquivo FdC

De acordo com o Creci-SP, golpes como o do falso corretor e a venda do mesmo imóvel para várias pessoas seguem em alta. A advogada Gabriela Pereira alerta: "O criminoso cria um ambiente de urgência e confiança ao mesmo tempo".
Fechar a compra ou venda de um imóvel exige hoje mais do que atenção ao preço e à localização. Em um mercado cada vez mais digital, os golpes imobiliários se sofisticaram e passaram a atingir tanto quem busca uma oportunidade quanto quem tenta resolver uma necessidade urgente de moradia ou investimento.
Entre os casos mais comuns estão o falso corretor, o anúncio de imóvel inexistente, a venda do mesmo imóvel para mais de uma vítima e a exigência de sinal antecipado sem segurança documental. O próprio Conselho Regional de São Paulo (Creci-SP) destacou, em janeiro deste ano, que essas práticas seguem entre as fraudes mais recorrentes do setor.
Segundo a advogada em Direito Imobiliário de alto padrão, Gabriela Pereira, boa parte dessas fraudes se apoia na pressa da vítima e na aparência de normalidade da negociação. Ela disse que o golpe quase nunca começa com uma ameaça evidente, mas com uma oferta sedutora, linguagem convincente e pressão para fechar o negócio rapidamente.
“O criminoso tenta criar um ambiente de urgência e confiança ao mesmo tempo. Ele oferece um imóvel com preço atrativo, apresenta documentos ou conversas que parecem legítimos e conduz a vítima para uma decisão rápida, antes que ela faça as verificações essenciais”, afirmou Pereira.
Na compra e venda, os riscos incluem vendedor sem legitimidade, documentos falsificados, ausência de conferência da matrícula atualizada e até negociação de bem que já foi prometido ou vendido a outra pessoa. O Creci e os registros de imóveis insistem em pontos básicos: conferir se o corretor ou a imobiliária estão regularmente habilitados, exigir documentação atualizada e nunca pagar valores relevantes sem validação jurídica e registral.
A vulnerabilidade de quem busca o primeiro imóvel
Para a advogada, o principal erro está em tratar a etapa documental como mera burocracia. “A matrícula atualizada, a identificação correta do proprietário, a análise da cadeia documental e a confirmação de quem está intermediando a operação são medidas simples, mas decisivas. Quando isso é ignorado, o risco deixa de ser abstrato e passa a ser financeiro”, alertou.
Ela lembrou que o golpe imobiliário nem sempre atinge apenas grandes investidores. Muitas vítimas são famílias em busca do primeiro imóvel, proprietários que acreditam estar negociando com um profissional regular e por aí vai. “Fraude imobiliária não escolhe perfil. Ela escolhe vulnerabilidade. E isso aumenta quando a negociação é feita só pelo impulso, pelo preço baixo ou pela urgência”, concluiu Gabriela Pereira.
Com todos esses golpes à tona, conferir o registro profissional, verificar a matrícula do imóvel, desconfiar de ofertas muito abaixo do mercado e evitar transferências antecipadas continuam sendo passos fundamentais para impedir que um sonho de compra termine em prejuízo.



