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MERCADO

13 de julho de 2026 às 14:30:00

Prometeu um pedaço do prédio por R$ 100 na internet? Entenda o que você realmente compra

Por: da Redação

Arquivo

Quando alguém ouve que está comprando um imóvel tokenizado, pode imaginar que está adquirindo a propriedade do bem de forma direta e digital.

Prometeu um pedaço do prédio por R$ 100 na internet? Entenda o que você realmente compra


A "revolução" do imóvel tokenizado chegou aos grupos de WhatsApp e às propagandas nas redes. A promessa é tentadora: comprar uma fração de um apartamento ou sala comercial com o mesmo clique que se compra um livro. Mas, antes de transferir qualquer valor, o morador precisa entender que, na maioria das vezes, você não vira dono de fato daquele imóvel.


Se você viu uma propaganda dizendo que é possível "comprar imóveis por mil reais" ou "investir em tijolo sem sair de casa", cuidado. A novidade tecnológica que está bombando no mercado chama-se tokenização. Na prática, algumas empresas estão pegando um imóvel caríssimo e o dividindo em "pedacinhos" digitais (os tokens) para vender para o público geral.


Porém, a advogada especialista em Direito Imobiliário Gabriela Pereira faz um alerta importante ao consumidor: você está comprando o imóvel ou está comprando um pedaço de papel (digital) que promete te pagar um aluguel no futuro?


Ela explica que a confusão é proposital no marketing. "Quando alguém ouve que está comprando um imóvel tokenizado, pode imaginar que está adquirindo a propriedade do bem de forma direta e digital. Muitas vezes, o que existe é a compra de um direito econômico estruturado sobre a ativo, e não a transferência da titularidade imobiliária em si", afirma Gabriela.


O que muda no meu bolso?

Para o consumidor comum, a diferença é brutal:


Na compra tradicional: Você assina a escritura, registra no cartório e seu nome vai na matrícula do imóvel. Você pode reformar, vender ou alugar por conta própria.


Na compra do token (na maioria dos casos): Você vira um "credor" ou "sócio" de um negócio. Você não pode entrar no apartamento, não pode decidir a cor da parede e depende de uma empresa administradora para te pagar os rendimentos (se houver).


O que a lei e o Banco Central dizem?


A novidade é tão grande que os órgãos reguladores (como o Banco Central, com o projeto Drex, e a CVM) ainda estão se ajustando para entender se essas vendas são simples trocas de dinheiro ou se são, na verdade, "ofertas de investimento" (como ações na bolsa).

Se for considerado um investimento, a empresa que está vendendo precisa de autorização específica, e o consumidor precisa estar ciente de que pode perder dinheiro se o negócio não der certo.


O check-list antes de clicar em "comprar"


Se você quer arriscar nesse novo mercado, a especialista sugere fazer as perguntas certas antes de assinar qualquer contrato digital:


"O que eu sou?" Pergunte se você será o proprietário (dono) ou apenas um investidor (credor).


"Cadê o papel?" Exija a documentação do imóvel real. O prédio existe? Ele está quitado? Quem é o dono atual?


"Quem garante?" Se a empresa que criou o token falir, o que acontece com o seu dinheiro e com o prédio?


"Posso vender amanhã?" Entenda se tem liquidez (se consegue revender fácil) ou se seu dinheiro vai ficar "preso" por anos.


A promessa é real, mas a letra miúda é gigante


A tecnologia de fato traz vantagens. Ela permite que uma pessoa que só tem R$ 500 guardados possa participar de um grande empreendimento. Além disso, traz mais agilidade e rastreabilidade nas transações.

No entanto, a advogada Gabriela Pereira resume o cenário para o cidadão comum: "A tecnologia pode ampliar acesso, mas a segurança da operação continua dependente da estrutura jurídica. O investidor precisa saber quem é o titular do imóvel, qual direito o token representa e qual é a via de proteção em caso de conflito".


Conclusão: Não confunda inovação com facilidade. Comprar um imóvel tokenizado é um ato de investimento sofisticado, não uma compra no supermercado. Se a oferta parece boa demais para ser verdade, desconfie. E, principalmente, leia o contrato como se sua vida dependesse disso (porque seu dinheiro depende).

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