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25 de junho de 2026 às 13:15:00

A pressão silenciosa: o peso emocional por trás da gestão dos condomínios

Por da Redação

Divulgação

Vanessa Muniz - Advogada há mais de 21 anos, pós-graduada em Direito Tributário e Gestão de Pessoas, especialista em condomínios e síndica profissional certificada pela Universidade de São Paulo (USP)

Quando um elevador para, uma infiltração surge ou uma assembleia termina em conflito, a responsabilidade recai sobre uma única figura: o síndico. A função, antes essencialmente administrativa, transformou-se em um cargo que exige mediação de conflitos, inteligência emocional e disponibilidade praticamente integral — um desgaste pouco discutido, mas cada vez mais presente no cotidiano dos gestores condominiais.


Com mais de 84% da população brasileira vivendo em áreas urbanas e a verticalização avançando nas grandes cidades, os condomínios consolidaram-se como o modelo predominante de moradia para milhões de pessoas. O país conta hoje com mais de meio milhão de condomínios, um mercado que movimenta bilhões de reais anualmente. Apesar da relevância econômica e social, o impacto emocional da função ainda é um tema marginal nos debates do setor.


Para a advogada, síndica profissional e especialista em gestão condominial Vanessa Munis, o cenário mudou radicalmente nos últimos anos. "Os síndicos deixaram de ser apenas administradores. Hoje são líderes, mediadores de conflitos, gestores de crise e representantes de comunidades inteiras. Existe uma pressão constante por decisões rápidas, equilíbrio emocional e disponibilidade praticamente permanente", afirma. A pandemia, segundo ela, acelerou uma transformação silenciosa: o condomínio deixou de ser apenas moradia e passou a ser também ambiente de trabalho, convivência e relacionamento, ampliando as demandas e a complexidade da gestão.


Questões envolvendo barulho, animais, inadimplência, uso de áreas comuns, segurança e locações por aplicativos estão entre os temas mais recorrentes nas disputas condominiais. Na prática, o síndico moderno lida menos com administração patrimonial e mais com gestão de pessoas. Dados do setor indicam que 70% dos conflitos em condomínios são comportamentais, e não financeiros ou estruturais . A hiperconectividade agravou o cenário: aplicativos de mensagens ampliaram a velocidade das reações impulsivas e reduziram os espaços de mediação .


"Os condomínios são formados por pessoas com histórias, expectativas e interesses diferentes. O desafio do síndico moderno não é apenas aplicar regras, mas construir diálogo, gerar confiança e conduzir decisões de forma equilibrada", diz Vanessa. A profissionalização da sindicatura acompanha essa evolução — empreendimentos buscam cada vez mais gestores preparados para lidar com finanças, legislação, comunicação e mediação de conflitos.


É a partir dessa vivência que nasce o livro "A Arte de Se Posicionar no Ecossistema Condominial", estreia de Vanessa Munis como autora. A obra reúne reflexões construídas ao longo de mais de duas décadas de atuação, abordando liderança, reputação, posicionamento, comunicação e os desafios contemporâneos da gestão. Mais do que um manual técnico, propõe uma reflexão sobre o papel do síndico em um cenário cada vez mais dinâmico.


"Meu objetivo é mostrar que a gestão condominial vai muito além da administração de estruturas físicas. Estamos falando de pessoas, relacionamentos, comunidades e da capacidade de construir ambientes mais saudáveis e colaborativos", conclui.


O lançamento ocorre em um momento de forte transformação do mercado, em que governança, transparência, saúde mental, tecnologia e liderança ocupam espaço crescente nas discussões do setor.


SERVIÇO

Lançamento do livro "A Arte de Se Posicionar no Ecossistema Condominial"
Autora: Vanessa Munis
Data: 30 de junho de 2026, às 19h
Local: Livraria Travessa – Shopping Iguatemi (Av. Brigadeiro Faria Lima, 2232 – Jardim Paulistano – SP)
Entrada gratuita

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