24/3/2026 10:37:00
Curitiba vive verticalização imobiliária com expansão e desafio aos condomínios
Por: da Redação
Foto: Pedro Ribas/Secom (Divulgação)

A cidade mantém um ritmo médio de cerca de 10 mil novas unidades por ano, o que pode resultar em até 50 mil novos imóveis até 2030, distribuídos em centenas de novos empreendimentos
A verticalização considerada planejada em Curitiba, com a expansão dos condomínios na cidade, tem valorizado o mercado imobiliário da capital paranaense. Tal crescimento, no entanto, na avaliação do advogado Luis Gustavo Stremel, vem acompanhado de uma série de desafios que impactam diretamente a vida em condomínio, como segurança, convivência e lacunas regulatórias.
O advogado, que é especializado em Direito Condomínio, acredita que “o modelo urbano de Curitiba, com plano diretor rígido e crescimento concentrado nos eixos estruturais, contribuiu para uma cidade organizada, mas também trouxe uma alta valorização e uma densidade maior em determinadas regiões. Isso pressiona a convivência e a gestão dentro dos condomínios”, explicou.
Hoje, Curitiba figura entre as capitais com o metro quadrado mais valorizado do País e ocupa posição de destaque nacional em lançamentos de imóveis. A cidade mantém um ritmo médio de cerca de 10 mil novas unidades por ano, o que pode resultar em até 50 mil novos imóveis até 2030, distribuídos em centenas de novos empreendimentos.
Violência urbana
Entre os principais pontos de atenção, o especialista destacou a violência urbana, que passou a ser uma preocupação constante, inclusive, dentro de condomínios. Casos de invasões e acesso irregular a condomínios vêm sendo registrados com mais frequência na cidade. “Os condomínios não estão isolados dos problemas urbanos. Situações como invasões mostram que é preciso investir não só em estrutura, mas em gestão e prevenção jurídica”, afirmou.
Outro ponto que ganha relevância na questão segurança é a integração dos condomínios com a chamada muralha digital, sistema de monitoramento urbano que utiliza câmeras para reforçar a segurança pública. Stremel entende que “as câmeras dos condomínios passaram a ter um papel importante na segurança da cidade. Existe uma tendência de integração cada vez maior com sistemas públicos, o que exige atenção jurídica sobre uso de dados e responsabilidade”, comentou.
Falta de regulamentação às recargas dos veículos elétricos
Além disso, novas demandas surgem com a transformação do perfil urbano, como a falta de regulamentação clara para carregamento de veículos elétricos em condomínios, tema que já gera conflitos entre moradores. O especialista comentou que “a mobilidade elétrica já é uma realidade, mas ainda carece de regras bem definidas dentro dos condomínios, o que pode gerar disputas e insegurança jurídica”, pontuou.
Outro desafio frequente na avaliação de Stremel envolve obras vizinhas e impactos estruturais, uma preocupação crescente em regiões com alta densidade construtiva. “Obras ao lado de condomínios exigem cuidados técnicos e jurídicos. Danos estruturais e conflitos entre vizinhos são mais comuns do que se imagina”, alertou.
Capacitação dos síndicos
Com o aumento da densidade populacional em condomínios, cresce também a complexidade da convivência entre moradores. Questões como barulho, uso de áreas comuns, obras internas e até o compartilhamento de espaços se tornam mais frequentes e sensíveis. Nesse cenário, o papel do síndico ganha ainda mais relevância, exigindo não apenas conhecimento técnico, mas também habilidade de mediação e gestão de conflitos.
“O síndico hoje precisa atuar como um gestor completo. Ele lida com questões jurídicas, administrativas e humanas ao mesmo tempo. Em um ambiente mais denso e diverso, a capacidade de mediar conflitos e aplicar regras com equilíbrio é fundamental para manter a harmonia no condomínio”, concluiu o especialista.




