CULTURA E LAZER

16/1/2020  08:03:17

 

“Retratos Urbanos – SP” traz trabalhadores na capital

Por: da Redação

 

Produzida e realizada pela Galeria Filmes, a produção tem como protagonistas trabalhadores de diversas categorias que atuam nos bastidores dos principais cartões-postais da capital paulista

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Idealizada por Pablo de Sousa e dirigida por Bruno Vergueiro, a série “Retratos Urbanos”, que estreou em 7 de janeiro no Canal Futura, apresenta o cotidiano de trabalhadores que ocupam famosos espaços da cidade, como o Masp, o Theatro Municipal de São Paulo e o Cemitério da Consolação, entre outros.

 

Por meio de minidocumentários, a produção leva ao público o dia a dia desses trabalhadores que, por muitas vezes, permanecem ocultos e são responsáveis pela manutenção de verdadeiros cartões-postais da cidade.

 

Dos 13 episódios, com duração de cinco minutos cada, dois já foram exibidos (Francivaldo Gomes, o “Popó, guia turístico do Cemitério da Consolação, e Claudia Ontivero, veterinária da Fundação Parque Zoológico de São Paulo). Nos próximos episódios a série levará ao ar – sempre às terças-feiras, às 22h e 55m – os seguintes personagens:

 

Giuseppe Puorto – herpetólogo do Instituto Butantan que cuida de serpentes e conta como aprendeu a respeitar esses animais peçonhentos

Data de exibição: 21 de janeiro

 

Tendo começado a trabalhar no instituto ainda adolescente, Giuseppe encontrou resistência por parte de seus pais quando escolheu essa profissão. “Meus pais não entenderam nada. Eles queriam que eu fosse médico, engenheiro, advogado. Família italiana que trabalhou muito duro para que eu estudasse. E minha mãe morria de medo que eu fosse picado”, conta ele.

 

Esteve envolvido em vários acidentes com cobras, sendo dois especialmente graves, mas esses acontecimentos não diminuíram seu fascínio por estes animais nem sua crença na importante função das pesquisas da instituição, que, além da produção de soros e vacinas, desenvolve medicamentos para combater a pressão arterial e câncer.

 

Augusto Fiorelli – relojoeiro da Estação da Luz, cartão-postal paulistano que, nos últimos cem anos, teve apenas três pessoas cuidando de seu relógio, entre elas Fiorelli, que herdou o ofício do avô e revela como é trabalhar com uma tecnologia quase em extinção

Data de exibição: 28 de janeiro

 

Tendo iniciado na profissão ao 16 anos, hoje Augusto Fiorelli cuida de vários relógios públicos da cidade, além da Estação da Luz: os da Faculdade São Francisco, do terminal de trens de Paranapiacaba, da igreja do Largo de São Bento. “Mas você não pode tirar férias, você tem que dar corda no relógio, se não, o relógio para”, conta, fazendo entender a responsabilidade de sua função. Tendo aprendido a profissão com o avô, hoje seu filho faz mestrado sobre a profissão de relojoeiro.

 

João Levi Miguel – comerciante do ‘Mercadão’ que um dia sonhou ser artista, mas tem uma banca de queijos onde encontra centenas de pessoas diariamente

Data de exibição: 4 de fevereiro

 

Migrante rural, João Miguel Levi nasceu no município de Itu no mesmo ano da inauguração do Mercado Municipal, 1933. Levi teve seu primeiro par de sapatos somente aos 18 anos de idade e caminhava com eles na mão para somente calçá-los quando chegasse na cidade, evitando gastá-los. Em São Paulo, trabalhou 23 anos como funcionário de uma banca do Mercadão até conseguir alugar uma banca e, depois, comprar a sua. “Quem sustenta todos os comércios é a classe operária”, avalia.

 

Edson da Silva, “Sorriso” – locutor do Pacaembu. Sambista, ele empresta sua voz ao estádio e cria frases que animam as arquibancadas como uma de suas famosas: “O seu, o meu, o nosso Pacaembu!”

Data de exibição: 11 de fevereiro

 

Também compositor de sambas e sambas-enredo, Edson da Silva, inicialmente, assumiu provisoriamente a vaga de locutor do Estádio do Pacaembu, substituindo o funcionário anterior da função, que havia falecido. Passados nove anos, sua voz continua a ecoar nos jogos, sendo reconhecida pelas torcidas e frequentadores, algo como uma mescla entre lugar e pessoa. “Pacaembu tem toda uma história, a história do futebol. É uma história que ninguém apaga”, afirmou.

 

Horrana Santos – assistente curatorial do Masp. Voz importante deste museu que, para além de ser um dos cartões-postais da capital, é uma instituição que se mantém visionária na maneira como recebe e exibe obras de arte

Data de exibição: 18 de fevereiro

 

Horrana é, também, uma das pessoas que migraram para São Paulo para exercer sua profissão, pois nasceu no Espírito Santo. Ela acredita na arte e no acesso à arte como força transformadora, citando, como exemplo, até as origens de sua família: “Minha mãe fez até a quarta série primária e o meu pai, até o básico. São pessoas que nunca tiveram experiência dentro de um museu, nunca até eu trabalhar em um...”.

 

Fica clara em sua experiência a importância do aspecto educativo de instituições artísticas, questionando e transformando essa função, possibilitando novos discursos e discussões mesmo em meio a uma instituição tão antiga quanto o Masp:  “...criar oficinas, palestras e curadorias para tornar um lugar mais de compartilhamento do que, simplesmente, exibições e continuamente aprimorando a a ideia de trazer públicos diferentes para o museu, de todas as cores, gênero, classe social, idade.”

 

Sandra Monay – atendente da Biblioteca Mario de Andrade.  Diariamente ela exerce  a função de aproximar as pessoas aos livros, fazendo-as se sentirem incluídas na biblioteca

Data de exibição: 25 de fevereiro

 

Sandra utilizou o livro ‘Quarto de Despejo’, de Carolina de Jesus, para executar uma atividade de leitura com as pessoas em situação de rua do entorno da Biblioteca Mario de Andrade, integrando-as ao espaço por meio das passagens descritas no livro e com as quais essas pessoas se identificassem. Ela relata: “Trabalhar em uma biblioteca é fazer parte de uma equipe em que todos trabalham por amor, todos querem dar sempre o seu melhor.  É, também, ter um pouco de Cora Coralina, Drummond e Mario Quintana todos os dias na sua vida...”

 

Teodora Carneiro – restauradora da Pinacoteca. Assim que uma obra de arte se conclui, ela já está em degradação. Mofo, luz, calor. O trabalho de Teodora é justamente fazer com que as obras cumpram o seu destino: a imortalidade

Data de exibição: 3 de março

Teodora, além de trabalhar, vive e respira o espaço da Pinacoteca. Chegou até a fazer o chá de bebê de seu filho dentro do ateliê de restauro da instituição. Além da conservação das obras de arte para garantir sua visualização no futuro, acredita na função educativa que a instituição possui. As portas de seu ateliê são de vidro, para que os frequentadores possam ver o trabalho dos restauradores.

 

Cícero Pereira – faz-tudo do Parque do Ibirapuera. Ele se orgulha em ser o funcionário público mais antigo do parque e um verdadeiro “faz-tudo”

Data de exibição: 10 de março

 

Tendo começado aos 18 anos, Cícero já exerceu muitas das funções da área de manutenção dentro do parque: “Já fiz de tudo aqui. Eu sou um faz-tudo mesmo e onde é preciso cobrir, eu tô lá: jardinagem, podagem, elétrica, lago, tudo. Quando falta alguém, é eu quem chamam pra cobrir.” No início da carreira, com vergonha das funções que exercia no parque, costumava se esconder, por detrás de seu boné, das pessoas que lá passeavam. Hoje tem uma visão diferente: “Hoje tenho orgulho de trabalhar no parque, sinto-me orgulhoso mesmo. Tudo que eu já fiz aqui é uma história”

 

José Leonídio Santos – mergulhador do Rio Tietê. De mala com dólares a restos mortais, ele já achou de tudo nas águas do rio

Data de exibição: 17 de março

 

  “A minha é a segunda profissão mais perigosa do mundo. A primeira é de astronauta”, relatou José Leonídio, que já mergulhou mais de 3.000 vezes no rio Tietê. Em um deles, encontrou uma mala com 2 mil dólares no fundo do rio e, em outra, achou restos mortais de uma pessoa assassinada dentro de uma mala.

 

Nenhum desses eventos, porém, abalou a esperança dele de que o Tietê fique em condições melhores no futuro. “Tenho muita gratidão pelo rios Tietê e Pinheiros. Tudo que eu tenho de material eu devo a eles. O meu desejo, o meu sonho, é ver o rio limpo ainda em vida.”

 

Sandro Genaro – projecionista da Cinemateca Brasileira. Após rápida adaptação ao fim da película, ele se tornou um dos primeiros especialistas no Brasil em projeção digital

Data de exibição: 24 de março

 

Sandro começou a trabalhar nas salas de cinema como bilheteiro e foi aprendendo até tornar-se projecionista. Conheceu sua esposa no ambiente dos cinemas, treinou-a como projecionista e, hoje, além de terem um filho cinéfilo que tem como meta dirigir um filme ganhador de um Oscar, eles trabalham juntos lado a lado na sala de projeção da Cinemateca Brasileira.

 

Vendo a inevitável transição do cinema de película para o digital, Sandro preocupou-se com o futuro de seus colegas de profissão e, em conjunto com o sindicato da categoria, criou um curso de informática para promover a especialização de projecionistas.

 

Anibal Marques, “Pelé” – cenotécnico do Theatro Municipal.  Ele vive um dia a dia de equilibrista nos sofisticados espetáculos de ópera, música e dança do espaço mais ilustre dedicado às artes do palco da cidade

Data de exibição: 31 de março

 

Anibal, mais conhecido como Pelé, começou a trabalhar no Theatro Municipal aos 10 anos de idade, levado pelo pai: “A primeira vez que eu entrei no teatro, achei que era uma igreja. Eu tinha 5 ano. Quando eu tinha 10 anos, meu pai colocou um martelo no meu cinto”.

 

Passados 40 anos,ele  já montou cenários para inúmeras produções nacionais e internacionais, como, por exemplo, em 1998, quando se emocionou vendo Mikhail Baryshnikov em um espetáculo em que o bailarino russo dançava em cima de uma mesa.

 

Além do trabalho no Municipal, ele dá aulas sobre a profissão, ensinando os alunos a resolverem os muitos problemas que surgem nos bastidores, como ocorreu na vez em que solucionou a estrutura que faria a cantora Rita Lee voar em cena. “Teatro é mágica. Esse lugar é mágico. É a minha vida, foi a minha vida. Agora eu vou me aposentar. Nem sei o que vai ser”, diz.

 

Sobre a série ‘Retratos Falados’

 

Ao longo de seis semanas de gravação, uma equipe de 30 profissionais dedicou-se ao desafio de registrar essas pessoas. “Eu enxergo as cidades como organismos vivos. Nas metrópoles, isso fica ainda mais evidente. Muitas vezes, por conta de sua dimensão, pode-se perpetuar uma invisibilidade das pessoas que movem essa engrenagem. A nossa vontade, com a ideia da série, é algo que consideramos extremamente honroso: retratar as histórias de quem constrói, opera e vive essa cidade”, afirma Pablo de Sousa, que também assina a direção de fotografia da série.

 

“Um dos nossos desafios era conseguir profundidade em episódios tão curtos. Não queríamos uma abordagem rasa e tínhamos receio de que o curto tempo de cada episódio favorecesse isso. Acho, honestamente, que conseguimos. Os personagens se abriram para as câmeras com histórias emocionantes, engraçadas e inusitadas, tanto sobre suas vidas pessoais quanto aos fatos relacionadas a seus ofícios. Somamos a isso informações pitorescas e às vezes desconhecidas sobre as locações, que são marcos afetivos da cidade. O conteúdo entretém e, ao mesmo tempo, emociona e traz informações relevantes. Um resultado muito gratificante para cinco minutos”, comemora o diretor, Bruno Vergueiro.

 

“Exibir a nossa série documental no Canal Futura é um privilégio, pois acreditamos muito na curadoria da programação. Fazer parte dessa grade com nosso registro amarra de forma completa o propósito de “Retratos Urbanos” como um produto de entretenimento com cuidado estético e rigor, mantendo o respeito com os nossos entrevistados e a cidade de São Paulo”, diz a produtora executiva da Galeria Filmes, Vânia Ferreira.

 

Serviço:

Exibição: todas as terças-feiras, às 22h55

Onde: Canal Futura, disponível nas operadoras Oi TV (canal 35 SES-6), Claro TV (canais 87 e 587), Algar TV (canal 228), TV Alphaville (canal 86), NET (canais 87 e 587) e SKY (canal 34), além do portal Futura e do aplicativo FuturaPlay.

Reprises: quartas-feiras às 23h25; sábados às 15h55; quinta-feira às 14h55

Episódios: 13

Duração: 5 minutos cada

Divulgação (Galeria Filmes)

Dos 13 episódios, com duração de cinco minutos cada, dois já foram exibidos

Divulgação (Galeria Filmes)

Teodora Carneiro, restauradora da Pinacoteca

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