BEM ESTAR

21/7/2021   14:58:00

 

 

Arquiteta avalia opção de customização do imóvel na planta

Por: da Redação

 

Com uma estratégia para atrair futuros proprietários de imóveis em construção, construtoras têm buscado motivar esses consumidores, oferecendo a possibilidade de personalização dos seus apartamentos. Atenta a essa movimentação, a arquiteta Cristiane Schiavoni questionou: "mas, na prática, o que essa vantagem significa para o comprador?"

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Segundo a profissional, tal possibilidade de customização dos imóveis rompe com a postura de algumas construtoras de padronizar as unidades ainda no processo de construção. “No passado, a planta era padronizada e ponto final. O comprador é quem deveria se adaptar ao padrão oferecido ou mudar tudo depois de receber as chaves. Nos últimos anos, cada construtora passou a disponibilizar opções que devem ser decididas com antecedência pelos clientes”, explicou.

 

Aquecimento das vendas de imóveis na planta

 

Em maio, segundo o sindicato que representa o mercado imobiliário no Estado, Secovi-SP, foram comercializadas 5.883 unidades residenciais na capital paulista, um volume 44,1% superior no comparativo com o mês anterior e 144,6% acima do registrado em igual período do ano passado.

 

Schiavoni vê um mercado aquecido, mas como definir com um prazo tão adiantado, levando em consideração que um empreendimento pode levar de dois a três anos para ficar pronto? É nesse contexto que a arquiteta defende a contratação de um profissional de arquitetura que, junto com o cliente, dará início ao desenvolvimento do projeto de interiores, além de auxiliar nas decisões que poderão fazer a diferença após a entrega das chaves.

 

A arquiteta afirmou que, ao contrário do que se pensa, o projeto não deve ser iniciado em um calendário mais próximo da finalização da obra, por parte da construtora. “Quando o profissional é inserido desde o início, tudo pode ser definido com muito mais calma e, inclusive, participamos das escolhas concedidas pela construtora. A ideia é fazer com que essas oportunidades sejam inseridas no projeto, otimizando tempo e custos quando for a hora de preparar o apartamento para os moradores se mudarem”, afirmou.

 

 A ideia, de acordo com a profissional, é exatamente não promover o conhecido quebra-quebra completo de paredes, revestimentos e outras grandes transformações. Na visão de Schiavoni, apropriando-se das perspectivas ofertadas pelas construtoras, a planta do apartamento pode estar ainda mais próxima do desejado e o porcelanato aplicado ser aquele escolhido pelo proprietário para compor o projeto de arquitetura de interiores.

 

Mas porque tanta antecedência?

 

O morador pode se perguntar: mas se meu apartamento ficará pronto apenas daqui dois ou três anos, preciso mesmo contratar um especialista com tanta pressa?

 

De acordo com Schiavoni, a resposta é sim, pois na avaliação da arquiteta, esse tempo pressupõe um planejamento financeiro, bem como as escolhas de materiais – segredos para uma obra de qualidade, tranquila e sem sobressaltos. “Nesse tempo em que organizamos todas as etapas, é possível visitar lojas de móveis planejados, comprar materiais elétricos e outros insumos que serão primordiais para a reforma. Com calma, evitamos dores de cabeça e alcançamos o imóvel do jeito que o cliente espera”, relata a arquiteta.

 

Comprador x construtora

 

Como mencionou a arquiteta, foi-se o tempo em que a relação com as construtoras apresentava um molde engessado. No passado, os compradores eram obrigados a aceitar a planta disponível no momento da compra e partir por dois caminhos: ou se encaixava no formato ou alterava completamente. Porém, de um certo tempo para cá, a arquiteta afirmou que vem acompanhando uma movimentação ainda mais forte do mercado imobiliário que, independentemente do perfil do imóvel, vem buscando acoplar a customização como um diferencial em seus negócios.

 

“Ainda mais com essa transmutação no conceito de morar que o período da pandemia trouxe para todos os brasileiros, as prioridades mudaram completamente. Cada um, no seu contexto de vida profissional e familiar, descobriu e almeja novas atribuições em seu lar. Até por isso se justifica esse crescimento nas vendas de imóveis novos, tanto em São Paulo como em outras regiões do Brasil”, avaliou aprofissional.

 

Muito além dos dados do Secovi-SP, a arquiteta disse que tem constatado essa mudança no comportamento dos futuros proprietários de imóveis, que, segundo ela, entre 2020 e 2021, optaram pela mudança de imóvel com características que atendam seus momentos atuais – até mesmo partindo para outras cidades.

 

Personalização de apartamento

 

Existem diversas formas de realizar a customização de um apartamento e as circunstâncias variam de acordo com a construtora, condomínio e o prazo de solicitação. Em geral, a empresa responsável pela obra oferece algumas alternativas como revestimentos para pisos e paredes e o material da bancada da pia da cozinha e do banheiro, por exemplo, que podem (ou não), representar um custo adicional.

 

Em outros casos, opções de planta A ou B, com três dormitórios ou duas suítes, dentro da metragem total do imóvel, podem resultar em uma planta mais próxima do esperado. “A depender do tipo do empreendimento, algumas construtoras personalizam o apartamento por completo, com as definições de paredes e os pontos de elétrica e hidráulicas, calculados de forma exclusiva pelo arquiteto à frente do projeto do prédio”, explicou Schiavoni.

 

No entanto, a prerrogativa da antecedência é novamente destacada pela arquiteta. Com a complexibilidade que envolve a construção de um empreendimento, a empresa precisa ter as respostas dos moradores para que possam ser incorporadas em seus processos. “Tive um caso recente de uma cliente que perdeu o timing de promover uma mudança significativa em sua cobertura, pois não respondeu no prazo solicitado pela construtora. Com isso, vamos realizar apenas depois da entrega das chaves, deixando de ganhar tempo e dinheiro”, contou.

 

Moradia adaptável e funcional


Mais do que um projeto bonito, ele precisa atender todas as demandas, hábitos e estilo de vida da família que habitará a residência. Para isso, o projeto precisa ser funcional, adaptável e atender as expectativas. Nesse processo, a arquiteta enfatizou a importância de estabelecer essa relação tão profunda com seu cliente e observou que arquitetura de interiores não é como uma loja de moda fast fashion, que produz roupas padronizadas e em larga escala.

 

“Como em todas as relações, o tempo é sempre senhor do caminho. De todas as conversas e o convívio que começamos a estabelecer, eu posso ouvir os anseios e compreender aquilo que os moradores realmente esperam e buscam encontrar nessa nova casa. Esse processo é primordial para a execução de uma obra com excelência”, disse a profissional, que desenvolveu essa percepção apurada em suas mais de duas décadas de experiência no mercado.

 

Sustentabilidade

 

A destinação correta do lixo é uma questão a ser resolvida pelas pequenas, médias e grandes cidades e, com relação aos resíduos de obra, a questão não é diferente. De acordo com o Sindicato da Indústria da Construção Civil de São Paulo (Sinduscon-SP), cerca de 70% dos refugos da construção se concentram, em sua maior parcela, no pequeno gerador que realiza reformas e pequenas obras. “Além da economia financeira para o bolso do cliente, nossa consciência sustentável enquanto cidadãos é outro motivo para não decidir por quebrar tudo aquilo executado pela construtora. Somos todos responsáveis pelos resíduos que são descartados no meio ambiente e diminuir esse descarte de obra um caminho muito salutar”, concluiu a arquiteta.

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“No passado, a planta era padronizada e ponto final. O comprador é quem deveria se adaptar ao padrão oferecido ou mudar tudo depois de receber as chaves. ..."

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