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23/2/2026      15:10:36

 

 

 

A flexibilidade dos novos modelos de condomínio com oferta de infraestrutura coletiva

Por: da Redação

Arquivo

“Quando o prédio oferece coworking, áreas de convivência, salão gourmet e espaços de descanso, o apartamento deixa de carregar sozinho todas as funções e se torna um núcleo ...", destacou o arquiteto

Em grandes capitais como São Paulo, Belo Horizonte e Curitiba, apartamentos de 30 e 40 m² já se tornaram um padrão habitual, muitos deles voltados à locação para um público que busca mobilidade, praticidade e imóveis que não exijam compromissos de longo prazo. Para o arquiteto Paulo Tripolini, o diferencial deste ano não está no tamanho e sim na qualidade das soluções adotadas e na inteligência aplicada ao projeto.

 

Ele defendeu que em 2026 “estamos entrando em um período em que a moradia precisa ser eficiente, flexível e emocionalmente conectada ao morador. A casa não é só um refúgio, é um sistema vivo, que conversa com o cotidiano e se adapta ao ritmo das pessoas”, disse o arquiteto que tem acompanhado de perto o que ele chamou de evolução, apontando os movimentos mais expressivos para este ano.

 

Tripolini afirmou para a Folha do Condomínio OnLine que esses apartamentos vêm sendo pensados com layouts mais estratégicos, circulação fluida e escolhas construtivas que priorizam durabilidade e baixo impacto ambiental. O uso de materiais naturais, como madeira certificada, pedras brasileiras, tecidos de fibras orgânicas e revestimentos com menor emissão de carbono, ganha vez em relação às demais.

 

Ainda conforme o profissional, ao mesmo tempo, o retrofit e o reuso de estruturas existentes se consolidam como uma das tendências mais relevantes do mercado, especialmente, em áreas centrais das cidades. “A gente percebe uma mudança clara: em vez de demolir e reconstruir, o mercado começa a olhar para o que já existe. Retrofit não é apenas atualizar estética, é requalificar edifícios, otimizar desempenho térmico-energético e prolongar a vida útil da construção”, acredita o arquiteto.

 

Novos condomínios

 

Nesse contexto, o projeto não precisa parecer carregado, mas sim essencial e coerente com o estilo de vida contemporâneo. Esse cenário, combinado à infraestrutura completa dos novos condomínios, responde a um modelo de moradia mais sustentável, dinâmico e que amplia, de forma concreta, a área de uso diário do morador.

 

“Quando o prédio oferece coworking, áreas de convivência, salão gourmet e espaços de descanso, o apartamento deixa de carregar sozinho todas as funções e se torna um núcleo, enquanto o restante do condomínio completa a experiência”, detalhou.

 

Infraestruturas coletivas

 

A presença dessas citadas comodidades dentro dos empreendimentos reduz a necessidade de ambientes programáticos no imóvel, como grandes escritórios ou livings superdimensionados, liberando área para plantas mais enxutas e versáteis. Além disso, diminui deslocamentos cotidianos, economiza tempo e amplia a sensação de segurança, fatores especialmente valorizados pelas gerações mais jovens.

 

No entanto, o arquiteto ponderou que esse movimento também precisa ser analisado com cuidado sob a ótica urbana. “É inegável que esses condomínios funcionam como microcidades e facilitam muito a rotina, mas também precisamos refletir sobre o papel da metrópole. Uma cidade equilibrada ecologicamente e socialmente pressupõe pessoas nas ruas, ocupando o comércio local, utilizando equipamentos públicos e vivendo o espaço urbano”, destacou.

 

Para Tripolini, o desafio de 2026 não está em enclausurar o morador em um ecossistema privado, mas em criar empreendimentos que dialoguem com o entorno, incentivem o caminhar, valorizem o bairro e contribuam para uma dinâmica urbana mais ativa.

 

“A tendência é termos cada vez mais empreendimentos onde o morador trabalha no coworking, treina na academia, usa a lavanderia e conversa com os vizinhos no lounge. Esse microcosmo expande a casa para além da metragem, mas ele precisa complementar a cidade e não substituí-la”, concluiu.

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