9/2/2026 10:00:45
Condomínios terão custos operacionais elevados com a reforma tributária
Por: da Redação
Foto: Jo Capusso

A criação da CBS e do IBS mudará profundamente a forma como serviços são tributados, elevando os custos operacionais nos condomínios
A partir de 2027, o orçamento dos condomínios será impactado diretamente e de forma relevante pela reforma tributária. A criação da CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) e do IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) mudará profundamente a forma como serviços são tributados, elevando os custos operacionais nos condomínios e exigindo uma gestão financeira ainda mais estratégica por parte de síndicos e administradoras.
Segundo Tiago Slavov, professor de Contabilidade da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (Fecap), os condomínios passarão a ser classificados como contribuintes finais, o que significa que não poderão aproveitar créditos tributários ao longo da cadeia produtiva. “Todo o imposto incidente sobre os serviços será incorporado ao preço final. Na prática, o condomínio passa a arcar integralmente com o impacto da nova tributação”, explicou.
Aumento da taxa condominial
O principal fator de aumento de despesas será a contratação de serviços. Empresas enquadradas nos regimes de Lucro Presumido e Lucro Real estarão sujeitas às novas alíquotas da CBS e do IBS, que podem alcançar 26,5% para serviços em geral e entre 18% e 19% para serviços prestados por profissões regulamentadas.
Slavov destacou que “esse patamar de tributação é bastante elevado e tende a ser repassado ao consumidor final. Para os condomínios, isso se traduz em aumento da taxa condominial, já que serviços como portaria, limpeza, manutenção, segurança, elevadores e jardinagem compõem a maior parte do orçamento mensal”, disse.
Gestão estratégica passa a ser decisiva
Diante desse cenário, o professor reforçou que a escolha dos fornecedores será determinante para o equilíbrio financeiro dos condomínios. “A análise não pode mais se restringir ao valor do contrato. Será fundamental considerar o regime tributário do prestador e a composição dos custos envolvidos em cada serviço”, afirmou.
Entre as estratégias para mitigar o impacto financeiro, Slavov mencionou:
Contratação de MEI e empresas do Simples Nacional - MEIs e empresas do Simples continuam submetidos a uma carga tributária menor. Para serviços recorrentes e operacionais, essa escolha tende a resultar em preços mais competitivos e menor impacto no caixa do condomínio.
Avaliação criteriosa em serviços com fornecimento de materiais - em contratos que envolvem obras, reformas e manutenções estruturais, empresas do Lucro Presumido ou Real podem apresentar vantagem. Essas empresas conseguem recuperar créditos tributários sobre os materiais adquiridos, o que reduz o custo efetivo da operação e pode equilibrar o valor final do contrato.
Planejamento financeiro e revisão de contratos - a gestão condominial entrará em uma nova fase, na qual planejamento tributário, renegociação contratual e controle rigoroso das despesas deixarão de ser diferenciais e passarão a ser obrigações básicas.
“A gestão financeira do condomínio se tornará central. Será preciso revisar contratos, reavaliar fornecedores e planejar o orçamento com muito mais critério, para evitar aumentos abruptos na taxa condominial e garantir a sustentabilidade das contas”, concluiu Slavov.








