CIDADES

29/7/2020  21:45:34

 

Nova suspensão de pgto. da Caixa não chega às mais carentes

Por: da Redação

A Caixa Econômica Federal e o Ministério do Desenvolvimento Regional foram questionados por não terem incluído as famílias mais carentes em nova suspensão do pagamento dos financiamentos de condomínios populares do programa Minha Casa, Minha Vida (PMCMV). O questionamento, que partiu da Fenae, entidade nacional representativa dos funcionários do banco estatal, foi enviado ao governo, cobrando os motivos por mais uma discriminação à Faixa 1, que abrange os moradores mais necessitados do País, com renda até R$ 1,8 mil.

 

Em maio deste ano e agora também neste mês, o governo concedeu e prorrogou pausas na quitação das prestações — em um total de 180 dias — para todos os mutuários do país, incluindo três faixas do MCMV: 1,5, 2 e 3. Mas, continua não garantindo esse alívio à faixa de menor renda familiar.

 

Mesmo enfrentando sérias dificuldades financeiras com a crise econômica provocada pela Covid-19 — inclusive, o desemprego — os beneficiários desta faixa continuam sendo cobrados ao pagamento das prestações, que variam de R$ 80,00 a R$ 270,00 por mês. Conforme destacou o presidente da Fenae, Sérgio Takemoto, o governo permanece “insensível” a estas famílias.

 

“Está evidente o descaso do governo com a população mais pobre do País. Primeiro, [o governo] queria pagar somente R$ 200 de auxílio emergencial; mas, o Congresso aumentou para R$ 600,00. Agora, não permite que as famílias de baixa renda pausem o financiamento habitacional, medida que foi permitida para todas as outras faixas do Minha Casa Minha Vida e demais mutuários. Eles querem deixar essas pessoas sem moradia, em plena pandemia?”, questionou o presidente da federação

 

Nem a Caixa nem o ministério responderam ao questionamento

 

Nos ofícios direcionados ao presidente da Caixa, Pedro Guimarães, e ao ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, a federação destaca que a Faixa 1 do programa, “categoria de menor renda e potencialmente a mais afetada pela crise da pandemia”, não foi contemplada com a suspensão dos pagamentos.

 

“Juntamente com as organizações dos movimentos sociais em prol de moradia digna, a Fenae defende que os cidadãos incluídos nesta faixa tenham acesso a esse benefício, sobretudo em um momento em que aquelas famílias não têm condições de continuar os pagamentos e temem perder suas moradias”, diz o documento enviado à Caixa.

 

O ofício, encaminhado também ao MDR, traz que “Atormentadas pela falta de renda e sem conseguir manter o pagamento das prestações, aquelas famílias têm medo de perder suas moradias e, assim, a segurança de se manterem no isolamento social, necessário para conter a covid-19”.

 

A representante da União Nacional Por Moradia Popular (UNMP), Evaniza Rodrigues, disse que o movimento também tem manifestado-se pela suspensão do pagamento das prestações para a Faixa 1 desde o início da pandemia. Neste grupo do Minha Casa Minha Vida, 10% do valor do financiamento são pagos pelos beneficiários e 90%, pelo governo, com recursos do Tesouro Nacional.

 

A UNMP também acionou a Caixa e o MDR, que não apresentaram uma solução para o problema. Para Evaniza Rodrigues, a aprovação pelo Senado do Projeto de Lei 795/2020 — que suspende as prestações dos financiamentos da Faixa 1 por 180 dias — é a única esperança para as 1,4 milhão de famílias.

 

“Elas não acreditam que a sensibilidade virá do governo federal”, disse. “Todas as famílias, sejam aquelas da cidade ou do meio rural, continuam tendo que pagar suas prestações”, concluiu Rodrigues.

Arquivo

“Está evidente o descaso do governo com a população mais pobre do País. Primeiro, [o governo] queria pagar somente R$ 200 de auxílio emergencial; mas, o Congresso aumentou para R$ 600,00", disse o presidente da Fenae

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