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6/2/2026      14:35:11

 

 

 

Carnaval: maior rotatividade nos condomínios, conflitos e golpes

Por: da Redação

Divulgação

O aumento da circulação de pessoas, a realização de festas e o uso intensivo de áreas comuns elevam a frequência de conflitos entre moradores e colocam os síndicos no centro de tensões

É tempo de Carnaval, fantasias, confete, música alta e muito brilho. Se a folia costuma trazer mais cor e agito para a cidade, não seria diferente nos condomínios. Mas, na hora do convívio, isso pode se tornar um problema. O aumento da circulação de pessoas, a realização de festas e o uso intensivo de áreas comuns elevam a frequência de conflitos entre moradores e colocam os síndicos no centro de tensões. Ao ser acionado nesses momentos, o síndico precisa ser rápido, equilibrado e ter boa capacidade de mediação.

 

Neste período, marcado também por viagens e alta procura por imóveis para temporada aumentam ainda os golpes e as tentativas de fraude no aluguel. Anúncios falsos, cobranças antecipadas indevidas e contratos inexistentes por quem busca hospedagem para os dias de folia.

 

Para a advogada Carmem Lilian, o aumento dos golpes acompanha o crescimento da demanda. “Os criminosos se aproveitam da pressa e da expectativa do consumidor, especialmente, quando muitas pessoas fecham a hospedagem em cima da hora”, alertou. Ela contou à Folha do Condomínio OnLine que a desconfiança é palavra-chave nesse tipo de negociação. “Mesmo em estadias curtas, o contrato é fundamental, (pois) ele formaliza a relação, define direitos, obrigações e pode evitar prejuízos maiores”, explicou.
 

Dia a dia dos condôminos

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Carnaval: se a folia costuma trazer mais agito para as ruas, não seria diferente nos condomínios

Já para Marcus Nobre, principal executivo de uma startup de gestão, “o feriado evidencia tudo aquilo que já é sensível na convivência condominial: barulho, visitantes, disputa por espaços, modo de descarte de lixo e pequenas quebras de regra”. Para Nobre, “o problema é a velocidade com que o conflito se agrava quando não há uma resposta imediata e empática, ainda mais quando há álcool envolvido”, afirmou.

 

Os números do Censo Condominial 2025/26 ajudam a dimensionar o tamanho desse desafio. Em 2025, os 6 mil condomínios que utilizaram os serviços da startup, com mais de 560 mil usuários, registraram acima de 308 mil chamados ao síndico. As reclamações, com 27,9% dos chamados, foram o segundo maior motivo dos contatos, perdendo apenas para solicitações administrativas, com 30,1%. Depois se seguem manutenção de áreas comuns (27,4%), dúvidas (8,86%), sugestões (4,37%) e outras (1,26%).

 

Para o síndico, o desafio é lidar com essas demandas sem deixar que episódios se transformem em verdadeiras crises. “Quando o morador sente que não é ouvido ou que a resposta é demorada, a tendência é endurecer o tom. Por isso, quem está na gestão precisa ter um protocolo de resposta, nem que seja ‘estou averiguando e retorno em breve’, para que o morador fique menos ansioso”, sugeriu Nobre.
 

A experiência prática mostra que comunicação preventiva com regras claras reduzem significativamente o volume de atritos. Informar com antecedência os horários de silêncio, organizar a reserva de áreas comuns, reforçar procedimentos para entrada de visitantes e orientar sobre descarte de lixo são medidas básicas, mas decisivas. Ainda assim, nem sempre há tempo ou recursos humanos para atender cada mensagem individualmente, sobretudo em feriados prolongados.

 

É nesse contexto, na visão de Nobre, que a inteligência artificial está ganhando espaço na gestão condominial. Entre os exemplos, ele citou a utilização de aplicativos de Inteligência Artificial, desenvolvidos para atuar como mediadores digitais dentro dos condomínios, interpretando as mensagens enviadas pelos moradores, identificando o tom das conversas e sugerindo respostas adequadas, em apoio ao síndico.

 

No entanto, o executivo da startup de gestão condominial, destacou a importância da revisão humana antes do envio de mensagens criadas por uma IA, especialmente, antes de ações punitivas ou comunicados formais. Nobre ainda lembrou que as mensagens de mediação do aplicativo precisam estar alinhadas à convenção e ao regimento interno do condomínio. “Quando bem implementada, a automação funciona como um primeiro nível de triagem e sugestões ótimas, com o síndico entrando depois para lidar pessoalmente com cada caso”, concluiu o executivo.

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