SEGURANÇA

23/10/2019  21:01:01

 

Indaiatuba usa Aedes com genes alterados contra transmissão

Por: da Redação

 

Ovos do mosquito criado em laboratório são liberados em regiões específicas da cidade do interior paulista

 

Bairros da cidade de Indaiatuba, na região metropolitana de Campinas, interior do Estado de São Paulo, começaram a receber, na última sexta-feira (18), caixas com ovos do Aedes Aegypti, geneticamente modificados, para o combate ao inseto que transmite Dengue, Zika, febre amarela e Chikungunya. Trata-se de uma iniciativa, chamada de ‘Aedes do Bem’, que na primeira fase, há um ano, soltou os insetos machos já adultos, que não picam e nem transmitem doenças.  A ação desses insetos é de cruzar com as fêmeas transmissoras, que se tornam inférteis, suprimindo a população do Aedes.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A diretora da Oxitec do Brasil, Natália Ferreira, explicou que ao adicionar água dentro da caixa de papelão, os ovos masculinos se transformam em larvas, de larvas a pupas, de pupas a adultos. “Quando o adulto estiver pronto, ele vai sair da caixa por um buraquinho para procurar fêmeas e acasalar", contou. As caixas estão sendo colocadas em 12 bairros da cidade, com alto nível de infestação do Aedes aegypti.

 

Pesquisas que validaram a operação foram feitas ao longo de 12 anos em laboratório, dentro da Universidade de Oxford, na Inglaterra, e depois, trazidas para o Brasil, onde, segundo a empresa envolvida nos estudos, profissionais brasileiros aprimoraram a técnica para que funcionasse no Brasil.

 

Conforme Ferreira, o ‘Aedes do Bem’ foi considerado seguro pela Agência Regulatória Brasileira, “não oferecendo riscos nem aos romanos e nem ao meio ambiente”, disse.

 

Foram modificados dois genes no ‘Aedes do Bem’. “São dois genes seguros, um deles é marcador, que, ao ser adicionado ao mosquito faz com que ele fique florescente para que se possa identificá-lo na natureza. O outro gene já está presente nos insetos, mas foi aumentado de tal forma que, quando o inseto modificado cruza com a fêmea selvagem, os ovos femininos que ela gera não chegam à fase adulta, reduzindo a quantidade dos mosquitos causadores de doenças”, contou Ferreira. Só as fêmeas picam os humanos.

 

Para o laboratório, além da redução de custo com a produção e a logística para a distribuição dos mosquitos adultos, com o uso dos ovos dos insetos modificados será possível alcançar lugares mais distantes. “O ovo é estável para transporte, já o mosquito adulto não”, justificou Ferreira.

 

A aplicação desta tecnologia não impede o uso de ferramentas convencionais de controle vetorial, já implantadas pela prefeitura, que continuará a campanha para eliminar os pontos de água parada onde o Aedes aegypti se reproduz.

 

"O objetivo é que o novo mosquito seja avaliado como uma estratégia adicional no combate ao mosquito transmissor de dengue, Zika, febre amarela e Chikungunya”, informou o coordenador do Programa de Controle do Aedes aegypti da Secretaria Municipal de Saúde de Indaiatuba, Ulisses Bernardinetti.

 

De acordo com a Secretaria, o número de casos de dengue disparou 1.631% neste ano, em Indaiatuba, em relação à 2018. No ano passado foram registrados 16 casos confirmados. Já neste ano, o número saltou para 277 casos confirmados da doença. Deste total, 266 foram autóctones, ou seja, transmitidos dentro do próprio município.

Arquivo

“O ovo é estável para transporte, já o mosquito adulto não”, justificou Ferreira

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