SEGURANÇA

4/11/2019  10:46:15

 

Com dívida, morador prioriza pagto. do aluguel e condomínio

Por: da Redação

 

Empréstimo em bancos e financeiras é o maior vilão da inadimplência no País, revela pesquisa CNDL/SPC Brasil. Aluguel, plano de saúde e boletos de condomínio estão entre compromissos que os inadimplentes priorizam na hora de quitar contas. Apenas 16% pagam em dia fatura do cartão de crédito

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Com o desemprego ainda elevado e o achatamento da renda, os brasileiros vêm enfrentando dificuldades em manter as contas em dia. A saída para muitos tem sido recorrer ao crédito não só para quitar dívidas como pagar despesas básicas, que incluem água e luz. Levantamento realizado em todas as capitais e divulgado pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) aponta que que o principal responsável pela negativação de CPFs no País é o empréstimo pessoal contraído em bancos e financeiras. Segundo as entidades, 69% dos usuários da modalidade de crédito estão com restrição no nome. O crediário (68%) e o cartão de crédito (67%) aparecem logo em seguida no ranking.

 

Um dos desafios para os inadimplentes é priorizar as contas que devem ser pagas, principalmente, quando o dinheiro não sobra no fim do mês. De acordo com a pesquisa, o aluguel (84%) e o plano de saúde (82%) aparecem no topo dos compromissos financeiros quitados em dia. Já os boletos de condomínio aparecem em seguida, com uma participação de 78%. Outras dívidas que os inadimplentes costumam pagar no prazo são: TV por assinatura e internet (73%), conta de água e luz (72%), conta de telefone fixo e celular (66%) e financiamento da casa própria (53%). Apenas 24% dos entrevistados reconhecem estar em dia com o cheque especial e 16% com a fatura do cartão de crédito.

 

Financiamento da casa própria entre os vilões

 

Os dados mostram ainda que entre outros vilões da inadimplência estão o cheque especial (52%), o financiamento de automóvel (52%), o financiamento da casa própria (35%), as mensalidades escolares (26%), os empréstimos com parentes e amigos (23%), as contas de telefone (20%), os boletos de TV por assinatura e internet (16%) e as conta de água e luz (11%). Atrasos com condomínio correspondem a 11% das respostas.

 

Para Marcela Kawauti, economista-chefe do SPC, esse quadro deve-se não apenas ao orçamento apertado do brasileiro, mas também à falta de controle das finanças. “Se por um lado, o cenário econômico não vem favorecendo o equilíbrio das contas, por outro, existe um aspecto comportamental importante. Boa parte das pessoas não costuma organizar seus gastos, fazendo compras além de suas possibilidades financeiras, que muitas vezes transformam-se em dívidas difíceis de serem pagas”, disse

 

A economista orientou os consumidores que ao buscar empréstimo, é preciso cuidado redobrado. De acordo com Kawauti, a preocupação em quitar débitos pendentes só é interessante quando se troca uma dívida cara por outra mais barata. “Ou seja, quando o consumidor substitui o valor das dívidas que cobram juros elevados, como cartão de crédito, por exemplo, por outra com valores mais baixos, como empréstimo consignado. Caso contrário, os juros podem fazer com que as parcelas dos empréstimos fiquem inviáveis ”, alertou.

 

O levantamento também mapeou as contas que os inadimplentes possuem em aberto, mas que não levaram à negativação. Os empréstimos feitos com pessoas próximas, como parentes e amigos, estão em primeiro lugar (33%). Em segundo lugar, destacam-se as mensalidades escolares (26%) e, em terceiro, o cheque especial (24%). As parcelas do crediário (21%) e do cartão de crédito (17%) vêm na sequência.

 

“A incapacidade de pagar os compromissos em dia tem levado muitos brasileiros a fazer um tipo de rodízio para escolher qual conta pagar naquele mês. Normalmente, o consumidor prioriza o pagamento de contas básicas e de serviços essenciais, como água e luz, mesmo sabendo que podem ser interrompidos em situação de inadimplência. Mas esse tipo de decisão deve ser bem pesada, após uma análise do valor das pendências. ”, sugeriu o educador financeiro do SPC, José Vignoli.

 

Metodologia

 

A pesquisa ouviu 600 consumidores com contas em atraso há mais de 90 dias. A amostra é representativa e contempla ambos os gêneros, pessoas acima de 18 anos, de todas as classes sociais e residentes nas 27 capitais do País. A margem de erro é de 3,97 pontos percentuais a uma margem de confiança de 95%. 

 

Baixe a íntegra da pesquisa clicando aqui

Ilustração/Magal

A saída para muitos tem sido recorrer ao crédito não só para quitar dívidas, como pagar despesas básicas, que incluem água e luz

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