MUNDO

9/2/2021  14:45:34

 

 

Empresário de escritório de imigração vê opções para os EUA

Por: da Redação

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Popularmente, acredita-se que as únicas opções para que um estrangeiro consiga um green card para morar nos Estados Unidos sejam através de parentesco direto ou casamento com alguém que possua cidadania americana, ou então através do visto EB-5, também conhecido como “visto de investidor”.

 

“De fato, muitos brasileiros se utilizaram deste visto para empreender e buscar o tão sonhado direito a residência nos Estados Unidos. Somente na primeira década deste século (2001 a 2010), foram emitidos 1.018 vistos EB-5 para brasileiros. Em geral, empresários que decidiram montar um novo negócio ou simplesmente levar suas empresas do Brasil para os Estados Unidos, investindo no mercado de trabalho e, consequentemente, colaborando com a economia americana” – relatou o advogado brasileiro/estadunidense de imigração, Felipe Alexandre, fundador naquele país do escritório AG Immigration.

 

No entanto, na avaliação do empresário, apesar de suas vantagens, o EB-5 está longe de ser o visto estadunidense mais barato ou que oferece as maiores recompensas. Alexandre contou que para qualificar-se a um visto EB-5, é preciso primeiramente desembolsar a “bagatela” de US$ 900 mil (caso o investimento seja feito em alguma cidade dos EUA, onde existe carência de empregos ou de uma determinada indústria) ou de até US$ 1,8 milhões em localidades nobres, em geral grandes centros urbanos, daquele país.

 

Além destas altas quantias, também é preciso comprovar que o investimento pretendido irá gerar ao menos 10 empregos nos EUA, e que após os dois primeiros anos de funcionamento a empresa deverá estar gerando lucro. Alexandre destacou que somente quando isso acontece é que o investidor estrangeiro terá então o direito a receber seu green card definitivo.

 

Considerado especialista em investimentos e mercado de trabalho nos Estados Unidos, Rodrigo Costa observou que “por conta do alto valor e tempo necessário até que o direito a residência permanente seja conquistado, muitos brasileiros que só conhecem a alternativa do EB-5 acabam desistindo de buscar o green card americano” , disse.

 

Entretanto, tanto para Alexandre quanto Costa, Ceo do escritório, existem diversas outras modalidades de vistos que levam ao green card, especialmente, àqueles em que é permitido qualificar-se com base em uma carreira bem-sucedida ou na formação acadêmica. Segundo eles, o melhor é que estes vistos não exigem investimento financeiro mínimo e, em muitos, casos, nem mesmo a necessidade de uma oferta de trabalho ou de já haver empregador estadunidense.

 

São os vistos “EB” (employment-based), categoria da qual também faz parte o EB-5. De acordo com Alexandre, trata-se de vistos criados pela imigração dos EUA para atender à constante necessidade do mercado de trabalho estadunidense em “absorver” a capacidade profissional e intelectual de estrangeiros bem capacitados para serem explorados naquele país.

 

“Especialmente nos últimos 20 anos, estes vistos se tornaram fundamentais para que a América mantenha-se como a maior potência econômica do mundo, tanto que, não por acaso, houve um aumento da emissão dos vistos “EB” tanto na gestão de Obama (2009-2017) quanto de Trump (2017-2021), uma prova de que democratas e republicanos concordam em pelo menos um aspecto: os Estados Unidos precisam de imigrantes qualificados”, defendeu Alexandre.

 

Conheça as opções que podem levar

ao visto definitivo nos EUA

 

EB-1: visto destinado para pessoas que possuem “habilidades extraordinárias” comprovadas nas áreas das artes, ciências, educação, negócios e atletismo, e que são reconhecidas nacionalmente, ou até mesmo internacionalmente, por suas contribuições profissionais. Vários médicos, dentistas, cientistas, artistas, empresários, educadores e atletas qualificam-se para esta categoria, desde que possam atender a uma série de exigências do Serviço de Cidadania e Imigração dos Estados Unidos (USCIS).

 

EB-2 NIW: Nesta categoria o solicitante precisa comprovar que possui um histórico profissional de destaque e, em muitos casos, uma formação acadêmica superior. Estrangeiros que chegam aos Estados Unidos com vistos EB-2 NIW (National Interest Waiver) colaboram diretamente com o mercado de trabalho americano, que sofre com a falta de profissionais em áreas de importância nacional. Engenheiros, médicos, dentistas, enfermeiros, fisioterapeutas, profissionais de TI, pilotos de avião, arquitetos, entre outros, podem ser elegíveis para esta categoria. Em muitos casos, o visto EB-2 NIW pode ser emitido sem que haja nem mesmo uma oferta de trabalho ou empregador, com o solicitante qualificando-se somente com base em seu próprio histórico e capital intelectual. Empresários que desejam expandir empreender ou expandir seus negócios para os EUA também podem ser elegíveis.

 

EB-3 é o visto voltado para determinados trabalhadores especializados com no mínimo 2 anos de experiência ou treinamento, profissionais cujo trabalho nos EUA requeira ao menos um bacharelado estadunidense ou grau de educação equivalente em outro país, ou ainda para algumas outras categorias de trabalhadores menos frequentes. Nesse tipo de petição imigratória, o interessado terá que receber uma oferta de trabalho genuína de um empregador nos Estados Unidos e passar por um procedimento junto ao Departamento de Trabalho dos Estados Unidos para a obtenção de uma certificação de trabalho (labor certificate).

 

EB-4: Visto criado para atender determinados imigrantes “especiais”, incluindo trabalhadores religiosos, membros de entidades diplomáticas e de certas organizações internacionais, membros das forças armadas, funcionários do governo americano que trabalham no exterior, além de uma série de outras categorias específicas.

 

EB-5: O EB-5 é conhecido como o “visto de investidor”, e pode ser adquirido por estrangeiros que desejam empreender nos Estados Unidos. Além de um investimento mínimo cujo valor será determinado de acordo com a localidade em que o solicitante planeja investir, é preciso comprovar que o negócio criado irá gerar empregos e movimentar a economia americana. O EB-5 concede inicialmente um green card provisório e, posteriormente, o definitivo, caso seu portador consiga demonstrar que seu empreendimento nos Estados Unidos se mantém operante e rentável. Devido a seu alto custo, muitas vezes não é a melhor alternativa imigratória para quem deseja morar e empreender nos EUA.

 

Costa acredita que “especialmente com o início do novo governo americano, a tendência é que as oportunidades legais de imigração e de trabalho para estrangeiros aumentem ainda mais nos EUA. O brasileiro que deseja buscar um futuro melhor na América certamente encontrará um mercado de trabalho aquecido e com excelentes possibilidades profissionais e pessoais” – concluiu.

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