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13/3/2026      11:00:19

 

 

 

Síndicos sob pressão: Burnout na gestão condominial acende alerta no País

Por: da Redação

Divulgação

Tal situação pode levar esses profissionais ao estresse crônico no trabalho, fenômeno conhecido como Síndrome de Burnout

O aumento no número de condomínios (hoje, em São Paulo, temos uma maioria acima de cem unidades cada), o crescimento dos serviços oferecidos por eles, a judicialização dos problemas e a hiperconectividade transformam em alto risco emocional e jurídico a atividade exercida pelo síndico. Tal situação pode levar esses profissionais ao estresse crônico no trabalho, fenômeno conhecido como Síndrome de Burnout. A avaliação é de Vanessa Munis, síndica profissional e advogada especializada em Direito Condominial, que defende protocolos de proteção e governança preventiva.

 

Segundo dados do IBGE e levantamentos do setor imobiliário, milhões de brasileiros vivem atualmente em condomínios verticais e horizontais. Apenas na cidade de São Paulo, estima-se que existam mais de 57 mil condomínios registrados, número que cresce impulsionado pela verticalização e pela busca por segurança e infraestrutura compartilhada. Cada um desses empreendimentos depende de um gestor responsável por decisões que impactam diretamente o patrimônio e a segurança de dezenas ou centenas de famílias.

 

Munis informou à Folha do Condomínio OnLine que a gestão desses ambientes atravessa uma mudança estrutural silenciosa. “O que antes era visto como um papel administrativo, hoje, se tornou uma função de alta complexidade jurídica, emocional e estratégica”, afirmou. Segundo a especialista, essa nova realidade surgiu em meio à expansão urbana e ao aumento da convivência coletiva, “onde os síndicos enfrentam níveis crescentes de pressão, muitas vezes sem preparo técnico ou suporte adequado ao deixar de ser apenas administrador de contas, tornando-se gestor de crises, mediador de conflitos e responsável jurídico direto por riscos que podem ser civis e até criminais”, alertou.

 

O peso jurídico da função

 

O Código Civil estabelece que o síndico responde pela administração do condomínio e pode ser responsabilizado por omissões relacionadas à manutenção predial, segurança estrutural, cumprimento de normas legais e até questões ambientais e tributárias.

 

A judicialização das relações condominiais tem aumentado nos últimos anos, acompanhando a tendência geral de crescimento de ações no Judiciário brasileiro. Escritórios especializados relatam maior número de demandas envolvendo responsabilidade do síndico por danos morais, omissões administrativas e conflitos de convivência. A esse respeito, a advogada disse que “existe risco jurídico concreto. Não é apenas desgaste emocional. Dependendo da situação, o síndico pode responder com seu próprio patrimônio”, explicou.

 

O Triângulo da Pressão

 

A sobrecarga mental, segundo a especialista, pode ser compreendida por três forças simultâneas: responsabilidade legal ampliada, garantia da segurança física e patrimonial do condomínio e a ação como mediador constante de conflitos.


O condomínio é um microcosmo social. Ruídos, inadimplência, uso de áreas comuns, obras e disputas internas geram tensão permanente. Após a pandemia, a convivência intensificada elevou o número de reclamações e conflitos interpessoais. A hiperconectividade eliminou o horário comercial. Grupos de WhatsApp e mensagens diretas transformaram o síndico em um gestor acionado 24 horas por dia. Conforme Munis, “o senso de urgência do morador raramente corresponde a uma emergência real. Mas a expectativa de resposta imediata cria uma pressão contínua e desgastante”, alertou.

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