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15/5/2026      14:40:30

 

 

 

A precária profissionalização do síndico e o comprometimento da sua gestão condominial

Por: da Redação

 

Em contato com a Folha do Condomínio OnLine (FdC), o advogado Felipe Faustino manifestou preocupação com o perfil das pessoas, empresas e cursos, que se apresentam habilitados à função ou à formação de síndico profissional. Na avaliação do advogado, no geral, o processo que apontava para um avanço na governança dos condomínios não tem levado à uma profissionalização real do síndico.

Divulgação

“A profissionalização não está no título, está na prática. Não basta se apresentar como gestor profissional se a condução do condomínio continua sendo feita de forma improvisada”, criticou Faustino

Faustino, que atua em escritório especializado em Direito Condominial, tem observado com frequência um fenômeno preocupante onde estruturas que se apresentam como profissionais, com discursos bem construídos e títulos robustos, na realidade operam com práticas frágeis, sem processos, sem controle e, muitas vezes, sem base técnica consistente. “A profissionalização não está no título, está na prática. Não basta se apresentar como gestor profissional se a condução do condomínio continua sendo feita de forma improvisada”, defendeu.

 

A crítica do advogado aponta para os condomínios que simplesmente adotaram a “figura do síndico profissional”, acreditando que, automaticamente, isso resolveria problemas estruturais de gestão. Sem processos claros, sem prestação de contas detalhada, sem critérios técnicos para decisões e sem controle interno, a gestão continua vulnerável, apenas com uma nova “embalagem”. O especialista argumentou que “existe uma diferença importante entre profissionalização e terceirização. Delegar a gestão não significa, por si só, que ela se tornou mais técnica ou mais segura”.

 

Outra questão levantada por Faustino diz respeito aos relatórios visualmente bonitos, apresentações bem elaboradas e comunicação ativa, mas que não devem substituir uma gestão sólida. “Transparência não é apenas apresentar dados é garantir que eles sejam compreensíveis, auditáveis e consistentes. Forma sem conteúdo gera uma falsa sensação de controle”, disse o advogado à FdC.

 

A seguir, ele relacionou práticas frágeis de um síndico ‘profissional’ inabilitado, que comprometerem a gestão no condomínio e que não desaparecem com o uso de termos técnicos ou com a contratação de serviços especializados:

 

* ausência de processos formais de contratação;

* falta de critérios objetivos para obras e despesas;

* prestação de contas genérica ou pouco detalhada;

* inexistência de auditoria ou controle interno;

* decisões centralizadas sem registro adequado.

 

O risco da confiança cega

 

Ao final, Felipe Faustino alertou para um dos efeitos mais perigosos da falsa profissionalização, que é a redução da fiscalização. Moradores passam a confiar automaticamente na figura do “profissional”, reduzindo questionamentos e participação nas decisões. “A profissionalização deveria aumentar o nível de exigência, não reduzir. Quanto mais técnica a gestão se apresenta, maior deve ser o grau de controle sobre ela”, concluiu.

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