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25/5/2026      11:45:10

 

 

 

Apartamentos menores eliminam áreas de serviço e morador é obrigado a ‘lavar roupa fora’

Por: da Redação

Arquivo FdC

O que antes fazia parte da estrutura básica do apartamento passa a não caber mais no projeto, obrigando à realização de tarefas cotidianas fora do ambiente doméstico

A redução do tamanho dos imóveis passou a alterar diretamente a organização da rotina doméstica nas grandes cidades. Em 2024, 80% dos lançamentos foram de apartamentos compactos, enquanto em São Paulo 70% das unidades já têm entre 40 metros quadrados e 45 metros quadrados e até menos.

 

Esse padrão se intensifica com a queda do tamanho mediano dos imóveis, que passou de 71 metros quadrados em 2023 para 58 metros quadrados em 2025. A consequência prática aparece dentro das plantas, com áreas de serviço que deixam de existir ou são reduzidas ao mínimo, eliminando a possibilidade de instalar equipamentos nesses espaços. O que antes fazia parte da estrutura básica do apartamento passa a não caber mais no projeto, obrigando à realização de tarefas cotidianas fora do ambiente doméstico.


Um exemplo, é a posse de eletrodomésticos, especialmente, a máquina de lavar, que sempre esteve associada à autonomia dentro da residência. Com menos espaço disponível, essa lógica perde sustentação e abre espaço para o mercado explorar um modelo baseado em acesso.

 

“Quando o imóvel encolhe, a casa deixa de absorver todas as funções do dia a dia. A lavanderia é uma das primeiras a sair porque ocupa área, exige instalação e tem uso concentrado. Isso empurra a atividade para fora do imóvel”, disse Isaelson Oliveira, executivo chefe do Grupo Hi.

 

O morador passa a substituir estrutura própria por serviços externos, adotando um padrão semelhante ao observado em mobilidade e alimentação. O apartamento deixa de concentrar todas as funções e passa a operar como um espaço essencial, enquanto atividades operacionais são deslocadas para a cidade.


Atento a essa possibilidade de negócio, na avaliação de Oliveira, o avanço das lavanderias self service se conecta diretamente a essa limitação estrutural. Com a retirada das áreas de serviço dos apartamentos, cresce a demanda por pontos externos de lavagem, inseridos na rotina urbana. Esses espaços passam a ocupar um papel funcional, localizados em regiões de circulação e integrados a outros serviços do dia a dia. “A mudança não é sobre conveniência, é sobre adaptação. Quando não há espaço físico, o serviço deixa de ser opcional e passa a ser parte da infraestrutura da cidade”, defendeu Oliveira.

 

O modelo atende uma necessidade prática: resolver uma tarefa doméstica sem exigir espaço dentro do imóvel, investimento em equipamentos ou tempo prolongado. A utilização desses serviços acompanha a expansão dos imóveis compactos e o adensamento urbano, onde o custo do metro quadrado redefine prioridades dentro da casa.


À medida que os imóveis continuam menores, cresce a dependência de serviços externos para atividades básicas, alterando a forma como o cotidiano é estruturado. A autonomia deixa de estar vinculada à posse de equipamentos e passa a depender da disponibilidade de serviços oferecidos na cidade.

 

Esse padrão acompanha a lógica de adensamento incentivada por políticas urbanas e pelo próprio mercado imobiliário, que privilegia localização e preço em detrimento de metragem. O resultado é uma mudança concreta no uso do espaço doméstico e na relação do consumidor com tarefas do dia a dia, que passam a ser resolvidas fora de casa de forma integrada à dinâmica urbana.

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