CULTURA E LAZER

10/09/2019  23:00:00

 

A busca por uma SP mais humana em Mostra de Wilheim

Por: da Redação

Quem vive em São Paulo ou já visitou a cidade, certamente conhece o Vale do Anhangabaú (hoje, transformado pela prefeitura num polêmico canteiro de obras), o Pátio do Colégio ou o centro de eventos Anhembi. Além de cartões-postais, que representam a grandeza e a importância histórica da metrópole, esses lugares tem em comum um nome: Jorge Wilheim (1928 - 2014), arquiteto e urbanista responsável pela reurbanização (Anhangabaú e Pátio do Colégio) e construção (Anhembi) destes símbolos paulistanos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Em uma realização do Sesc São Paulo, que busca colaborar na construção de sociedades cujos cidadãos sejam cônscios da importância de seu papel no tecido social e, assim, participantes atentos ao meio em que vivem, a partir do próximo dia 19, na unidade Consolação, o público poderá se aprofundar na vida e obra de Wilheim, desde sua saída precoce da Itália, por conta da Segunda Guerra, até a carreira como arquiteto, urbanista e gestor público, onde desenvolveu e aplicou importantes modelos de planejamento e urbanização em mais de 20 cidades brasileiras.

 

Com entrada franca, a expografia, assinada por Pedro Mendes da Rocha, transformará o Espaço de Convivência da unidade numa praça, onde as pessoas poderão interagir com o conteúdo exposto, além de dialogarem sobre a importância de espaços públicos que acolham os habitantes das pequenas e grandes cidades.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Nesse contexto, “Conversas na Praça” nasce de um último desejo/projeto de Jorge Wilheim: um banco, localizado em alguma praça da cidade de São Paulo, onde ele pudesse sentar com seus livros, seus desenhos, seus pensamentos e com os jovens, para conversarem horas a fio sobre suas vidas e locais que habitam.

 

O material expositivo, composto por desenhos técnicos, croquis, fotografias, vídeos e arquivos sonoros - pertencente à família Wilheim e reunido pelo curador Guilherme Wisnik - apresenta as principais obras e projetos do urbanista: o Parque Anhembi, a cidade de Angélica no Mato Grosso do Sul, a reconfiguração do Pátio do Colégio, o calçadão da rua Augusta, os planos diretores das cidades de Curitiba e Joinville e a reurbanização do vale do Anhangabaú - espaço que nos últimos meses encontra-se no centro do debate paulistano.

 

Apesar de todo “caráter técnico” que o material evidencia, a exposição busca aproximar o público leigo de conceitos importantes para uma cidade cada vez mais habitável, já que Jorge Wilheim sempre esteve atento e interessado às mudanças da sociedade no tempo em que viveu, buscando fontes de energias alternativas, soluções para as novas formas de trabalho autônomo e flexível, e caminhos para a participação da sociedade na política.

 

No prefácio do livro “JW – A Obra Pública de Jorge Wilheim”, Manuel Castells, importante sociólogo espanhol e amigo íntimo de Wilheim, afirma que o arquiteto e urbanista se inspirava no modelo de Leonardo da Vinci, onde seu projeto maior, por meio de sua obra, era o de contribuir para o surgimento de um novo Renascimento, onde mentes e artes, música e políticas públicas, convergissem para dar à luz à promessa de uma civilização urbana de caráter humanista, eliminando principalmente a pobreza e a degradação ambiental.

 

Portanto, não se trata apenas de uma mostra sobre arquitetura e urbanismo, mas sim de um espaço ambientado para a discussão de uma cidade mais humana, mais acolhedora, onde seus cidadãos tenham prazer em ocupar os espaços públicos, transitando com maior facilidade, em contato constante com ambientes mais verdes e seguros, promovendo a qualidade de vida e o bem-estar da população.

 

Sobre Jorge Wilheim

 

Jorge Wilheim nasceu em 1928, na cidade italiana de Trieste e aos 12 anos mudou com a família para o Brasil, onde, na década de 50, formou-se arquiteto pela Faculdade de Arquitetura da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Recém-formado, enfrentou o desafio de projetar uma nova cidade para 15 mil pessoas no Mato Grosso do Sul, com a finalidade de desenvolver a região. Assim nasceu sua consciência ecológica e Angélica, cidade modelo em planejamento urbano. Em 1956, participou do concurso para o plano-piloto de Brasília, na mesma licitação que elegeu o projeto de Lucio Costa.

 

Serviço

 

Exposição “Conversas na Praça – o urbanismo de Jorge Wilheim”, com curadoria de Guilherme Wisnik

 

ONDE: Sesc Consolação | Área de Convivência, à rua Dr. Vila Nova, 245, vila Buarque, São Paulo/SP. Acesso via transporte público pela Estação Mackenzie do Metrô – Linha 4 – Amarela

 

QUANDO: abertura dia 19, quinta-feira, às 20h. De 20/9 a 14/12, de segunda a sexta, das 10h e 30m às 21h e 30m. Aos sábados e feriados, das 10h e 30m às 18h e 30m.

 

INFORMAÇÕES:  (11) 3234-3000.

 

INGRESSOS: grátis,

Para visitas agendadas de grupos, entrar em contato no endereço: agendamento@consolacao.sescsp.org.br

Bruno Niz/Divulgação

Vista aérea do Vale do Anhangabaú, reurbanizado por Wilheim na década de 80, antes da atual e polêmica reforma

Divulgação

Jorge Wilheim nasceu em 1928, na cidade italiana de Trieste e aos 12 anos mudou com a família para o Brasil

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