CULTURA E LAZER

15/6/2021  20:04:40

 

 

“Covid na Favela” traz o olhar dos moradores nas periferias

Por: da Redação

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O documentário “Covid na Favela” retrata denúncias do povo periférico assim como parte de sua organização para minimizar os impactos econômicos e sociais da pandemia. Gravado em São Paulo e Belo Horizonte e realizado pela produtora independente Igarapé Filmes, foi finalizado em janeiro de 2021. A produção fará parte da programação oficial da sexta edição do festival de cinema Cine Tamoio, em São Gonçalo.

 

Sinopse

 

A favela, corpos onde habitam múltiplas espacialidades, evidencia as contradições das medidas sanitárias para conter o avanço da pandemia no Brasil. A necessidade de ir ao trabalho ou a impossibilidade do isolamento pelas condições características dessas moradias coloca em risco a população periférica no enfrentamento à pandemia. A situação das favelas, entretanto, não é restrita ao Brasil ou à América Latina. No processo de globalização da economia, encontramos favelas em diversas geografias que vivem na crise do Trabalho do século XXI a formação de novos sujeitos revolucionários.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O filme registrou movimentação da população periférica em resposta ao aumento da violência policial durante a pandemia, em atos como no bairro paulistano da zona Leste, Cidade Tiradentes contra o Genocídio, na zona Sul, em Justiça por Guilherme, além da movimentação em resposta à morde de George Floyd, nos Estados Unidos.

 

São lembradas também as violações de direitos humanos ocorridas no Brasil similares ao caso de George Floyd, como o caso do estudante Pedro Henrique de Oliveira Gonzaga, de 19 anos, estrangulado no Extra da Barra da Tijuca no período anterior à pandemia, entre outros casos de racismo estrutural. 

 

Kessis Sena, idealizador da Igarape Filmes, comentou que “o documentário acompanha a movimentação e organização da favela de Paraisópolis, zona Sul de São Paulo, no combate à fome em sua captação e entrega de cestas básicas para a comunidade. A questão da moradia é citada por meio dos diálogos estabelecidos entre a população de rua por meio do movimento Pop Rua de São Paulo", disse. O Movimento de Luta nos Bairros e Favelas (MLB) também participa com o movimento por moradia, realizado na Favela do Jaguaré, na zona Oeste da capital paulistana.

 

Na cidade de Belo Horizonte, Kessi destacou que “foram registradas denúncias ‘íntimas’ em resposta aos alagamentos comuns nos territórios em que se assentam populações periféricas, ao lado de grandes obras realizadas pelo Estado em regiões centrais, como ocorrido no vale do Anhangabaú, reflexos da campanha ‘O Brasil não pode parar’, completou. 

 

No documentário, ‘O Breque dos Apps’, primeira paralisação nacional organizada por entregadores de aplicativos, é citada ao retratar a formação de novos sujeitos revolucionários frutos das reformas de sucateamento dos direitos trabalhistas e formação do precariado. Ao lado dos trabalhadores da saúde e da limpeza, protagonizaram as atividades essenciais na manutenção do distanciamento físico por sua função de assegurar que parte da população mantenha-se em casa.

 

Sobre a produtora

 

A produtora Igarapé Filmes, idealizada por Kessis Soares, surgiu durante a pandemia na realização do documentário e hoje segue itinerante por cidades brasileiras na continuidade da produção audiovisual sobre questões sociais do Brasil e da América Latina. Além de São Paulo, passou por Belo Horizonte e hoje está em Taguatinga, cidade Satélite de Brasília, de onde seguirá para a região norte do País. 

Formado em fotojornalismo na Universidade Mackenzie e graduando em História na Universidade de São Paulo, Kessis Soares é natural de Belo Horizonte, morou em Ribeirão das Neves, Teófilo Otoni e Mucuri, no Sul da Bahia, quando mudou-se aos 11 anos para a favela de Heliópolis, em São Paulo. Marcado pelos deslocamentos, transformou esse fato em objeto de pesquisa e hoje vive entre cidades brasileiras para produção audiovisual independente.

 

O produtor participou do projeto de pesquisa “Movimentos Sociais, Comunicação, Cultura e Território na América Latina” no Centro de Estudos Latino Americanos de Comunicação e Cultura (Celacc) da Escola de Comunicação e Artes da USP. Realizou o projeto de pesquisa em Iniciação Científica “A canção popular no ensino de língua portuguesa, história e cultura brasileira em diálogo com comunidades migrantes”, orientado por Paulo Farah, executado na Bibliaspa (Biblioteca e Centro Educacional, Cultural, Social e de Pesquisa) do NAP (Núcleo de Apoio a Pesquisa entre Brasil e África), da FFLCH, pelo projeto Aprender na Comunidade. Participa do grupo Pesquisadores de Quebrada, que une doutores, mestrandos e pesquisadores em geral da periferia para temas relacionados à condição periférica.

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Divulgação

“Covid na Favela” traz o olhar dos morad

A questão da moradia é abordada em diálogos estabelecidos entre a população de rua por meio do movimento Pop Rua de São Paulo, disse Kessis Sena

Reprodução do Documentário

A produção fará parte da programação oficial da sexta edição do festival de cinema Cine Tamoio, em São Gonçalo