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22/6/2026      16:25:45

 

 

 

Aluguel por temporada vira alvo de investigações por lavagem de dinheiro

Por: * da Redação

Silvia Bomm/Pref. Balneário Camboriú

Um caso emblemático ocorreu no Rio Grande do Sul, onde a Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) investigava um grupo suspeito de homicídios, tráfico e extorsão

A locação de imóveis por temporada, comum em muitos condomínios e cidades litorâneas, passou a ser monitorada de perto pelas autoridades. A suspeita é de que organizações criminosas estejam utilizando esse tipo de aluguel para ocultar patrimônio adquirido com tráfico de drogas e armas, transformando dinheiro sujo em uma fonte de renda com aparência de legalidade.

 

Especialistas apontam que a maquiagem financeira por meio de plataformas digitais opera em um "ponto cego" para a fiscalização, dificultando o rastreamento da origem dos recursos. Um caso emblemático ocorreu no Rio Grande do Sul, onde a Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) investigava um grupo suspeito de homicídios, tráfico e extorsão. Durante as apurações, os policiais descobriram que os criminosos haviam comprado imóveis no litoral norte do estado e os anunciavam para aluguel de curta temporada.

 

A Operação Litus, deflagrada em maio de 2025, resultou na denúncia de 16 pessoas. Segundo o delegado Gustavo Bermudes, parte dos imóveis estava registrada em nome da companheira do líder do grupo, enquanto outra parte pertencia a "laranjas". A descoberta só foi possível graças à análise de celulares apreendidos, onde foram encontrados anúncios, mensagens com locatários e recibos de pagamento. "Não fosse por isto, dificilmente chegaríamos a esta informação", afirmou o delegado.

 

O Ministério da Justiça já sinalizou que o setor está entre os segmentos vulneráveis a serem monitorados, e a Receita Federal incluiu o tema entre suas prioridades de fiscalização para este ano, criando regras mais claras para a tributação desses rendimentos no Imposto de Renda. Especialistas ressaltam que o modelo de locação de curta temporada, embora legítimo, ainda carece de uma regulação mais robusta no País, o que dificulta a identificação de padrões suspeitos.

 

Plataformas como Airbnb e Booking afirmam que colaboram com as autoridades e mantêm canais dedicados a solicitações oficiais, reforçando que adotam tolerância zero em relação a atividades criminosas.

 

A Operação Litus serve agora como alerta para outros estados que convivem com o crescimento do aluguel por temporada, especialmente, em regiões litorâneas e turísticas. A expectativa é de que o caso estimule a criação de um fluxo mais integrado de informações entre plataformas, locadores e órgãos de controle, reduzindo os espaços para a atuação do crime organizado nesse mercado.

* Publicação baseada em matéria originalmente produzida no site da Agência Brasil

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