CIDADES

21/10/2020  10:29:29

                

A moradia e a cidade, impactos da pandemia na vida urbana

Por: da Redação

 

Como a pandemia mudou a vida das pessoas nas grandes cidades? Que mudanças devem permanecer no pós-Covid-19 e como isso pode afetar a relação com o espaço público e outras questões próprias da vida urbana, como lazer, cultura, entretenimento, turismo e gastronomia? E dentro da residência: o que mudou e como isso se reflete nas atividades e nos serviços no lado de fora, ou seja, na rua? 

Para investigar essas e outras questões, uma plataforma de informação e inteligência, A Vida no Centro, a partir da região central da capital paulita, produziu um relatório de tendências, chamado de A Casa e a Cidade - impactos da pandemia na vida urbana, tendências e intuições.

 

O trabalho, segundo seus idealizadores, realizado durante três meses, traz um levantamento quantitativo, feito em parceria com o Observatório de Turismo e Eventos (OTE) da São Paulo Turismo, por meio de questionário online com 1.521 outros participantes, entrevistas em profundidade com dezenas de especialistas e trendsetters das mais variadas áreas e origens – artistas, produtores culturais, poder público e empreendedores, entre outros -, desk research e conteúdo especial da plataforma.

 

“O report (relatório) A Casa e Cidade foi feito com objetivo de colaborar com o maior entendimento sobre o impacto da pandemia nas grandes cidades brasileiras, como São Paulo. Isso porque as transformações verificadas no isolamento estão longe de se esgotar com a reabertura da economia”, disse Clayton Melo, diretor da plataforma e responsável pelo estudo, ao lado de Denize Bacoccina.

 

 

 

“Mudanças aceleradas na quarentena, como o trabalho remoto, revisão de hábitos de consumo e interação com o espaço público, devem permanecer e exigem um olhar acurado sobre seus significados,” afirmou Bacoccina.

 

A descentralização do trabalho, por exemplo, deve provocar mudanças na dinâmica espacial da cidade, com uma maior liberdade de escolha sobre onde morar, por exemplo, a partir do crescimento do trabalho remoto.

 

Resumo das principais intuições e tendências

 

De acordo com Melo, o relatório está estruturado em dois grandes capítulos: “no primeiro, procuramos mapear as mudanças e as tendências na vida dentro de casa, enquanto no segundo o foco foi a vida fora de casa”. Abaixo ele apresenta um resumo das principais intuições do estudo.

 

Dez tendências apontadas pelo relatório
“A Casa e a Cidade”

 

1. A casa agregando vida familiar, profissional e social

 

Entre as tendências apontadas está uma que foi geradas pela pandemia, com a transformação da casa no “hub” da vida, ou seja, a casa se tornou o lugar de tudo: vida familiar, profissional e social. É o lugar para morar, trabalhar, empreender, se divertir, estudar e se exercitar. É a casa como potência.

 

2. Home office híbrido

 

A experiência de trabalhar em casa agradou trabalhadores e empresas, o que sinaliza que essa modalidade vai se tornar uma realidade permanente para muitas pessoas, em especial com a adoção do modelo híbrido (alguns dias em casa, outros na empresa).

 

3. Um novo morar

 

A consolidação do home office gerou a necessidade de repensar o espaço doméstico. O trabalho remoto demanda uma nova casa, despertando o desejo (mais do que a necessidade) de cuidar do ambiente, adaptar cômodos e tornar os espaços mais acolhedores e também funcionais, de modo que permitam a realização das várias atividades no dia a dia.  

 

4. Home fitness

 

A casa também é o local para atividades físicas. Aos poucos, o hábito de se exercitar em casa vai entrando na rotina, abrindo espaço para o surgimento de plataformas que oferecem aulas online, assim como a criação de serviços digitais por grandes redes de academia.

 

5. A redescoberta da cozinha

 

Com os restaurantes fechados – e agora, com as restrições e os riscos– muita gente foi para a cozinha. E gostou. Pesquisa A Vida no Centro/SP Turis mostra que 67% passaram a cozinhar mais em casa, sendo que 7,2% aprenderam a cozinhar neste período. E 76% pretendem continuar comendo em casa mesmo com a reabertura dos restaurantes. Além disso, no setor de alimentação houve uma migração do comércio físico para o online. A pandemia fez obrasileiro perceber que não necessariamente precisa ir a um restaurante para comer bem. Pode cozinhar. Ou pedir comida.

 

6. Transformação digital da cultura

 

“A cultura agora será híbrida”. Essa frase de Hugo Possolo, secretário municipal de Cultura de São Paulo, sintetiza a transformação do setor cultural, que agora experimenta novas linguagens, produtos e sistemas de distribuição pela internet. Um símbolo da transformação digital do setor é “A Arte de Encarar o Medo”, espetáculo online pioneiro lançado pela Cia de Teatro Os Satyros. Criado e encenado remotamente pelo Zoom, o modelo de teatro digital criado em São Paulo foi exportado para uma produção internacional, com artistas de vários continentes. Além disso, várias instituições passaram a promover lives e exibir atrações online, entre elas Itaú Cultural, Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo e Theatro Municipal.  

 

7. Valorização do local

 

Uma das mudanças aceleradas pela pandemia é o fortalecimento do local, da vizinhança, o que também deve favorecer o comércio de bairro. Essa tendência, chamada de Local Love por bureaus de pesquisa nacionais e internacionais, já tinha sido mapeada havia alguns anos, mas com a Covid-19 ela vem para o primeiro plano e assim deve permanecer no pós-pandemia.

 

8. Senso de comunidade

 

Passar mais tempo em casa serviu para reconectar as pessoas com o bairro onde moram, incluindo a maior interação entre vizinhos e criação de redes de solidariedade.  Esse movimento foi captado, por exemplo, pela pesquisa Viver em São Paulo – Especial Pandemia, realizada pela Rede Nossa São Paulo, Ibope Inteligência e Sesc. Quando perguntados sobre as principais mudanças causadas pela pandemia e pelo isolamento social na relação com o bairro, 46% disseram que passaram a dar mais valor ao comércio e aos prestadores de serviços locais.

 

9. Nova relação com o espaço público

 

O uso dos espaços públicos pelas pessoas já era uma tendência nas grandes metrópoles brasileiras e mundiais antes da pandemia. Com a reabertura gradual das atividades nas cidades, esse desejo de ir para rua continuará forte, mas agora com algumas mudanças. A pesquisa A Vida no Centro/SP Turis indica que as pessoas terão receio de frequentar eventos com grandes aglomerações. Por outro lado, a procura por locais abertos na vizinhança, como parques, praças e locais para caminhar e passear – desde que não reúnam grandes massas de pessoas –, deve ser uma tendência nos próximos meses, o que pode resultar numa maior reivindicação por qualidade do espaço público, como as calçadas.   

 

10. Descentralização  

 

Com o home office como um dos vetores de fortalecimento da vizinhança, do senso de comunidade e do comércio de bairro, pode haver uma reorganização da dinâmica na cidade, criando condições para o surgimento de novas centralidades. Para exemplificar, um possível efeito disso é o fortalecimento e a diversificação da economia de bairros que antes só serviam de moradia. Trabalhando em casa, a pessoa fica mais tempo no bairro, consumindo ali, e não no local onde a fica a empresa. Em razão disso, locais em São Paulo como a Faria Lima e a Berrini, exclusivamente empresariais e com um comércio que funciona por causa desse público, podem passar por mudanças.

Divulgação

"A Casa e Cidade foi feito com objetivo de colaborar com o maior entendimento sobre o impacto da pandemia nas grandes cidades brasileiras, como São Paulo"

Tiago Queiroz / Divulgação

O uso dos espaços públicos pelas pessoas já era uma tendência nas grandes metrópoles brasileiras e mundiais antes da pandemia

Banner_França_-_145x240.jpg

Anuncie | Conheça a Folha do Condomínio | Fale Conosco | Cadastre-se
© Copyright 2009. Folha do Condomínio. Todos os direitos reservados
Artigos assinados não refletem necessariamente a opinião da Folha do Condomínio OnLine