CIDADES

3/7/2020  18:20:20

 

Governo enrola e pune famílias do PMCMV, mantendo cobranças

Por: da Redação

 

Em uma das ações para enfrentar os efeitos da pandemia do coronavírus, a Caixa Econômica Federal (CEF) anunciou, em maio, um prazo de 120 dias para mutuários de condomínios populares pausarem o pagamento de financiamentos habitacionais. No entanto, este benefício não foi concedido às famílias integrantes da Faixa 1 do Programa Minha Casa Minha Vida (PMCMV), potencialmente, as mais afetadas pela crise.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

“Esta é a população de baixa renda que mais sofre com a pandemia", observou o presidente da Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa (Fenae), Sérgio Takemoto. "Muitos tiveram que interromper o trabalho e mal têm condições de se manterem. Provavelmente, são também os brasileiros que mais dependem do auxílio emergencial (de R$ 600,00) para levarem comida para casa e ainda correm o risco de ficar sem moradia. É um absurdo o governo tratá-los dessa maneira”, acrescentou.

Jogo de empurra-empurra

 

A União Nacional por Moradia Popular (UNPM) reivindica, há mais de três meses, a suspensão do pagamento das parcelas do financiamento do Programa Minha Casa, Minha Vida (PMCMV) para a Faixa 1, que atende às famílias mais carentes, com renda até R$ 1.800,00. Mas, o governo não se posicionou e não responde às solicitações do movimento.

A representante da UNMP, Evaniza Rodrigues, afirmou que, desde fevereiro, a entidade busca solução junto à Caixa e ao Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR). Para Rodrigues, a Caixa disse que a decisão de pausar o financiamento depende do MDR.

A UNMP procurou o ministério, mas foi informada sobre a necessidade de uma portaria entre MDR e Ministério da Economia. “O movimento enviou um ofício ao ministério; porém, não tivemos resposta”, contou Rodrigues.

A Fenae também procurou informações junto à Caixa e ao Ministério do Desenvolvimento Regional para confirmar a exclusão da Faixa 1 e saber por que não é permitido a estes beneficiários a postergação do pagamento das prestações.

 

A assessoria do banco respondeu que o financiamento da Faixa 1 não pode ser pausado e que a questão deveria ser tratada com o MDR, gestor do programa. A Fenae questionou o ministério sobre o motivo de não incluir estes beneficiários na pausa dos pagamentos, mas também não obteve retorno.

Medo e desespero

 

Diante da dificuldade em pagar as parcelas, famílias têm medo de perder a moradia. Além de não conseguirem manter os pagamentos, o tempo de permanência em casa — por conta das medidas de isolamento social — refletiu no aumento dos gastos com despesas como água, gás e energia.

 

“A vida ficou mais cara na pandemia para quem mais necessita de renda”, ressaltou Evaniza Rodrigues, da União Nacional por Moradia Popular. "A parte do beneficiário que deveria ser paga no financiamento (varia de R$ 80,00 a R$ 270,00) poderia ser utilizada para estas despesas familiares", pontua.

É o caso da vendedora autônoma Rivonia Rosa, 46 anos. Hipertensa — ou seja, do grupo de maior risco ao coronavírus — ela perdeu o emprego um mês antes de assinar o contrato de financiamento da quitinete, pelo Minha Casa Minha Vida, no Condomínio Dandara, em São Paulo (SP). Com a pandemia, Rosa ficou totalmente sem renda. Apesar dos riscos à saúde, ela precisou retomar a venda de roupas para conseguir sobreviver.

 

"Tem mais de um mês que não sei o que é descanso", contou a vendedora autônoma ao jornal O Estado de São Paulo que, nesta sexta-feira (3), publicou a reportagem "Caixa cobra pagamento de prestações do Minha Casa Minha Vida a beneficiários de baixa renda". Com três prestações do financiamento atrasadas — além de duas contas de gás e uma de energia também não pagas — Rosa telefonou à Caixa Econômica para tentar pausar o pagamento das prestações. Após diversas tentativas, ela ouviu do banco que não havia suspensão da prestação para a Faixa 1 do programa.

Amigas da vendedora foram a agências da Caixa, com o mesmo objetivo, e também não conseguiram pausar a cobrança. "Sabe uma pessoa que ficou em desespero", desabafou a vendedora à reportagem.

Conforme destacou Sérgio Takemoto ao jornal, depois de um mês de inadimplência, os mutuários podem perder o imóvel. "É um risco muito grande que estas pessoas estão correndo", lamentou Takemoto.

Divulgação / Fenae

"Caixa cobra pagamento de prestações do Minha Casa Minha Vida a beneficiários de baixa renda", destacou manchete de "O Estado de S. Paulo" 

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