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SEGURANÇA

28 de setembro de 2026 às 10:45:00

Furtos e invasões em condomínios: porque os crimes se repetem e como prevenir

Por: da Redação

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Em grande parte das ocorrências, não há uso de armas nem confronto direto com moradores ou funcionários (Imagem: Magnific/Divulgação)

Especialistas apontam que falhas de segurança, subnotificação e falta de procedimentos integrados favorecem a ação de criminosos


Mesmo com câmeras registrando movimentações e invasores sendo identificados, furtos e tentativas de invasão continuam ocorrendo em condomínios — muitas vezes com métodos semelhantes e explorando vulnerabilidades já conhecidas. Para especialistas em segurança condominial, a repetição desses crimes está ligada a uma combinação de fatores que vai além das falhas estruturais dos edifícios.


Em grande parte das ocorrências, não há uso de armas nem confronto direto com moradores ou funcionários. Os criminosos agem em horários de menor circulação, estudam a rotina do local e utilizam recursos simples para acessar garagens, portões, áreas comuns e espaços como bicicletários, depósitos de encomendas e salas de equipamentos.


Segundo Fabiano Fernandes, executivo-chefe de uma empresa de segurança condominial, esse tipo de ação é planejado para garantir ganho rápido e reduzir a exposição do invasor. “O invasor busca uma oportunidade que ofereça retorno com o menor risco possível. Ele observa a rotina, identifica uma fragilidade e age de forma discreta. Quando a ação dá resultado e a vulnerabilidade não é corrigida, o mesmo método pode ser repetido no próprio condomínio ou em outros empreendimentos”, afirmou.


Baixa responsabilização favorece a repetição


A percepção de que a possibilidade de identificação e punição é baixa também contribui para a continuidade dos crimes. Imagens sem nitidez, câmeras mal posicionadas, registros de acesso incompletos e demora na preservação de provas dificultam a apuração.


Além disso, muitos casos não são registrados formalmente. Quando envolvem objetos de menor valor ou tentativas frustradas, é comum que o condomínio ou a vítima deixe de fazer o boletim de ocorrência — o que alimenta a subnotificação e impede que as autoridades relacionem ações semelhantes em diferentes endereços.


“Não cabe ao condomínio determinar se haverá punição, mas é sua responsabilidade reunir e preservar os elementos que podem contribuir para a investigação. Quando não há registro da ocorrência ou as imagens e os dados de acesso são perdidos, reduz-se a possibilidade de identificação e aumenta a percepção de baixo risco para quem pratica o crime”, ressaltou Fernandes.


O especialista lembra ainda que a ausência de armas ou violência não significa necessariamente que a ocorrência terá consequências leves. O enquadramento depende das circunstâncias de cada caso. Invasões com rompimento de obstáculos, escalada, fraude, uso de chave falsa ou participação de mais de uma pessoa podem caracterizar furto qualificado. “Por isso, a avaliação jurídica deve ser feita pelas autoridades competentes, a partir das provas disponíveis”, destacou.


Câmeras sozinhas não impedem invasões


A existência de câmeras pode produzir uma falsa sensação de proteção quando não há procedimentos adequados de monitoramento e manutenção. Imagens que não permitem identificar rostos, equipamentos sem manutenção, pontos cegos, portões que permanecem abertos e liberações feitas sem confirmação comprometem a capacidade de prevenção.


Entre as vulnerabilidades mais exploradas estão a entrada de pessoas junto com moradores ou veículos, o uso indevido de controles e credenciais, a ausência de conferência de prestadores de serviço e a exposição da rotina do condomínio.


Para prevenir essas falhas, Fernandes recomendou uma série de medidas:


Revisar o posicionamento, a nitidez e o período de armazenamento das imagens;


Verificar o funcionamento de câmeras, alarmes, interfones, sensores e portões;


Manter atualizados os cadastros de moradores, funcionários e prestadores;


Confirmar entregas, visitas e serviços antes de autorizar o acesso;


Evitar que pedestres ou veículos entrem aproveitando a abertura do portão;


Restringir o acesso a bicicletários, depósitos e áreas técnicas;


Orientar moradores e funcionários sobre tentativas de invasores que se passam por entregadores, prestadores de serviço, visitantes ou conhecidos;


Registrar todas as ocorrências e tentativas, mesmo quando nenhum objeto é levado;


Preservar imediatamente imagens, registros de acesso e demais evidências.


Correção deve ir além da falha aparente


Após uma invasão, o condomínio não deve se limitar a trocar uma fechadura, instalar uma câmera adicional ou reforçar temporariamente a vigilância. É necessário reconstruir o percurso feito pelo autor, identificar como ele obteve informações e verificar quais procedimentos falharam antes, durante e depois da entrada.


“A invasão raramente começa quando o portão é ultrapassado. Antes disso, pode ter ocorrido observação da rotina, obtenção de informações, uso de uma credencial ou exploração de um comportamento previsível. Se o condomínio corrigir apenas o ponto final da ocorrência, poderá continuar vulnerável à mesma estratégia”, alertou Fernandes.


Destino dos bens e facilidade de revenda


Outro fator que ajuda a explicar a continuidade dos furtos é a facilidade de transformar determinados bens em dinheiro. Bicicletas, celulares, ferramentas, equipamentos eletrônicos e encomendas podem ser revendidos rapidamente ou desmontados, o que dificulta sua recuperação. No caso de dinheiro em espécie, o rastreamento é ainda mais limitado.


Algumas medidas podem colaborar com as investigações, como manter notas fiscais, fotografias, números de série e outras informações que permitam identificar e comprovar a propriedade dos bens.


Para o especialista, tecnologia, procedimentos e comportamento precisam funcionar de forma integrada. “Não existe equipamento capaz de compensar sozinho um processo mal executado. A prevenção depende de boas imagens, controle de acesso, manutenção, treinamento e participação dos moradores. Quanto mais difícil for entrar, circular sem ser percebido e sair com um bem, menor será a atratividade daquele condomínio para novas ações”, concluiu.

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