SEGURANÇA
3 de outubro de 2026 às 16:15:00
Ação de criminosos usa inteligência artificial e falhas digitais para entrar nos prédios
Por: da Redação

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“É preciso estabelecer o que acontece quando o sistema erra, quando alguém é identificado incorretamente ou quando há divergência entre cadastro e realidade”, disse o especialista (Reprodução de vídeo/ SBTNews)
Falsos moradores, clonagem de voz e manipulação de cadastros acendem alerta para síndicos e administradoras
A segurança dos condomínios já não se resume a muros, portões e câmeras. Criminosos têm explorado informações, sistemas digitais e a confiança de funcionários e moradores para acessar edifícios residenciais. Alguns casos revelam quadrilhas que alteram cadastros e usam dados de moradores para facilitar a entrada em prédios.
Consultado a esse respeito pela Folha do Condomínio OnLine o advogado e especialista em Direito Condominial Felipe Faustino contou que esses episódios mostram que a segurança deixou de ser apenas física. “Hoje, uma informação mal protegida, um cadastro alterado ou uma autorização concedida sem a devida conferência também podem abrir a porta para quem não deveria estar ali”, disse.
Muitos golpes não exigem invasão sofisticada. O criminoso pode se passar por morador, prestador de serviço ou visitante autorizado. Com a evolução da inteligência artificial (IA), ferramentas digitais permitem criar conteúdos falsos, manipular imagens e reproduzir vozes. Segundo Faustino, “ouvir a voz de alguém conhecido já não significa que estamos falando com aquela pessoa. Procedimentos de confirmação precisam ser mais importantes do que a confiança pessoal”, avaliou.
Dados sensíveis e portaria virtual
Cadastros com nomes, telefones, apartamentos, placas e informações de visitantes exigem cuidado. A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) estabelece regras para o tratamento desses dados. “Um condomínio não pode tratar os dados dos moradores como uma lista telefônica disponível para qualquer pessoa”, alertou o advogado.
A portaria virtual também demanda governança. Contratos com empresas de segurança não podem ser analisados apenas pelo preço. É preciso saber quem administra os dados, quais protocolos são adotados e como agir em caso de falha.
Reconhecimento facial
Sistemas automatizados auxiliam, mas não são autoridade absoluta. “É preciso estabelecer o que acontece quando o sistema erra, quando alguém é identificado incorretamente ou quando há divergência entre cadastro e realidade”, disse o especialista. Tecnologia é uma ferramenta e a responsabilidade pela gestão continua sendo do condomínio.
Para a adoção de medidas preventivas para síndicos, Faustino recomendou algumas ações imediatas, como:
- Criar protocolo de autorização de entrada;
- Estabelecer dupla conferência para alterações cadastrais;
- Treinar porteiros e funcionários;
- Evitar informações excessivas na portaria;
- Criar regras para contatos urgentes;
- Rever contratos com empresas de segurança;
- Orientar moradores sobre divulgação de rotinas e viagens;
- Registrar ocorrências suspeitas.
Mudança de mentalidade
O especialista ressaltou que “o condomínio não pode esperar que o problema aconteça para descobrir que não tinha um procedimento”. De acordo com ele, segurança condominial precisa envolver prevenção, tecnologia, treinamento, contratos, proteção de dados e regras claras. Cada ocorrência deve ser analisada individualmente antes de se atribuir responsabilidade.
A pergunta que era “Como impedir que alguém pule o muro?”, agora precisa ser mais ampla: “Quem tem acesso às informações? Quem pode alterar um cadastro? Quem pode autorizar uma entrada? Como essa autorização é confirmada? E o que acontece quando alguém usa tecnologia para parecer quem não é?”
A resposta pode fazer diferença não só na segurança dos moradores, mas na capacidade do condomínio de demonstrar que adotou medidas razoáveis de prevenção.





