MERCADO
28 de agosto de 2026 às 15:00:00
Inadimplência de aluguel no Brasil atinge menor nível em 3 anos, mas alerta continua para imóveis de baixo valor
Por: Por da Redação

O mercado de locação imobiliária brasileira iniciou o segundo semestre de 2026 com um respiro. Foto: Jo Capusso
Dados do Índice de Inadimplência Locatícia (IIL), da Superlógica, mostram que a taxa nacional fechou julho de 2026 em 3,05% — o melhor patamar desde junho de 2023. Apesar da melhora generalizada, segmentos populares e a região Nordeste ainda concentram os maiores índices de atraso acima de 60 dias.
O mercado de locação imobiliária brasileira iniciou o segundo semestre de 2026 com um respiro. Em julho, a inadimplência entre locatários caiu para 3,05%, uma redução de 0,15 ponto percentual em relação a junho e de 0,71 p.p. na comparação com julho de 2025. É o menor percentual desde junho de 2023 (3,03%), segundo o IIL da Superlógica, plataforma referência em soluções para os mercados condominial e imobiliário.
Os dados foram apresentados durante o Next 2026, maior festival de conhecimento do setor no país, e consideram uma base anonimizada de mais de 800 mil clientes locatários em todo o território nacional. São considerados inadimplentes os boletos com atraso superior a 60 dias — critério que endurece o recorte e torna o indicador ainda mais relevante para a gestão de riscos.
Alívio nas famílias, mas cenário ainda pede cautela
Para Manoel Gonçalves, Diretor de Negócios para Imobiliárias do Grupo Superlógica, a queda reflete uma trégua no orçamento familiar, mas não autoriza otimismo pleno.
Essa preocupação se materializa quando se olha para os recortes por faixa de valor. Imóveis comerciais com aluguel de até R$ 1 mil registraram taxa de 7,27% — mais que o dobro da média nacional. No segmento residencial, a mesma faixa lidera os índices de atraso, com 5,99%.
Destaques por faixa de valor e tipo de imóvel
Residencial: a menor taxa entre todas as faixas ficou com os imóveis entre R2mileR2mileR 5 mil — apenas 1,74%. Já os aluguéis acima de R$ 13 mil tiveram o maior recuo mensal, queda de 0,58 p.p., chegando a 4,84%.
Comercial: a faixa entre R5mileR5mileR 8 mil caiu de 3,90% para 3,77%, enquanto a menor taxa do segmento ficou com os aluguéis entre R2mileR2mileR 3 mil (3,42%).
Por tipo de imóvel, todos os segmentos apresentaram queda em julho:
Comerciais: 4,17% (ante 4,19%)
Casas: 3,29% (ante 3,45%)
Apartamentos: 2,14% (ante 2,16%)
Nordeste segue com a maior taxa regional
Apesar do recuo de 5,15% para 4,88% em julho, o Nordeste permanece como a região com o maior índice de inadimplência do país. O Norte vem em segundo, com 4,04%, seguido por Centro-Oeste (2,80%), Sudeste (2,78%) e Sul (2,67% — o menor do Brasil).
Semestre confirma tendência de melhora
No acumulado do primeiro semestre de 2026, a taxa média nacional ficou em 3,24%, abaixo dos 3,30% do mesmo período de 2025 e bem inferior aos 3,71% do segundo semestre do ano passado.
A única região a fugir do movimento de alta na segunda metade de 2025 foi o Norte, que registrou queda contínua: 4,83% (1º sem/25) → 4,59% (2º sem/25) → 4,33% (1º sem/26).
Cenário para o gestor condominial
Para síndicos e administradoras, a tendência de queda é positiva, mas exige monitoramento contínuo, especialmente em empreendimentos com maior concentração de locatários de baixa renda ou em regiões mais vulneráveis. A inadimplência do locatário impacta diretamente a taxa de condomínio e a saúde financeira do edifício — daí a importância de acompanhar não apenas a média nacional, mas os recortes locais e por faixa de valor.




