MERCADO
15 de setembro de 2026 às 13:00:00
Greve da Caixa já impacta verificação de documentos e pode atrasar financiamento imobiliário
Por: da Redação

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Paralisação dos bancários afeta etapas como conformidade, emissão de minutas e assinatura de contratos, mas algumas fases seguem funcionando (Foto: Divulgação)
Paralisação dos bancários afeta etapas como conformidade, emissão de minutas e assinatura de contratos, mas algumas fases seguem funcionando
Iniciada no último dia 10, a greve nacional dos empregados da Caixa Econômica Federal, continua por tempo indeterminado após a rejeição da segunda proposta apresentada pelo banco. A paralisação já provoca lentidão em etapas internas do financiamento imobiliário, embora parte dos serviços tenha sido retomada.
Segundo Murilo Arjona, especialista em financiamento imobiliário, o principal impacto até agora ocorre na etapa de conformidade - fase em que o banco realiza a conferência jurídica e documental da operação. É nesse momento que são verificados os dados do comprador, do vendedor e do imóvel antes da liberação da minuta e do encaminhamento do contrato para assinatura.
A primeira proposta de renovação do Acordo Coletivo de Trabalho foi recusada por 90% dos participantes da assembleia na base do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região. Após novas negociações, a segunda oferta também foi rejeitada por 68% dos empregados. O principal impasse envolve as condições de custeio do Saúde Caixa, plano de saúde dos trabalhadores.
Financiamento não para, mas prazos ficam imprevisíveis
A greve não interrompe completamente os financiamentos. Propostas podem continuar sendo organizadas e algumas etapas seguem disponíveis, mas os prazos tendem a se tornar menos previsíveis quando a operação depende de setores afetados pela paralisação.
“Já observamos uma conformidade mais lenta. Isso pode atrasar a liberação de minutas, a correção de pendências e a assinatura dos contratos. O processo não necessariamente para, mas pode levar mais tempo para avançar”, explicou Arjona.
Uma notícia positiva veio das ordens de serviço ligadas à engenharia. De acordo com o especialista, a retomada das atividades pela equipe de tecnologia permitiu regularizar a emissão das solicitações necessárias para avaliações e vistorias dos imóveis. Corretores, compradores e correspondentes bancários já podem verificar a abertura dessas ordens e acompanhar o agendamento dos serviços.
A avaliação de engenharia é essencial para confirmar as condições do imóvel e o valor aceito pelo banco como garantia. Sem essa análise, a contratação não avança, mesmo que o comprador já tenha o crédito aprovado. “A regularização das ordens de serviço remove um dos obstáculos que afetavam os processos. Isso não significa a normalização de toda a operação, porque a conformidade e outras áreas continuam sujeitas à greve”, ressaltou.
Banco desiste de ir à Justiça e negociações seguem sem data
Após a rejeição da segunda proposta, a Caixa havia sinalizado a possibilidade de levar o conflito à Justiça do Trabalho. Na segunda-feira, 14 de setembro, o banco informou que desistiu de recorrer ao Tribunal Superior do Trabalho e demonstrou disposição para retomar as negociações. Ainda não há nova data para o diálogo nem previsão para o fim da greve.
Enquanto o impasse continua, compradores e profissionais do mercado podem adiantar a reunião de documentos pessoais, comprovação de renda, matrícula atualizada do imóvel e informações dos vendedores. Também é possível corrigir pendências apontadas pelo banco, acompanhar a avaliação de engenharia e manter contato com o correspondente responsável pela proposta.
“Ficar parado durante a greve pode aumentar ainda mais o prazo da compra. O caminho é avançar nas etapas disponíveis, acompanhar as pendências e deixar a operação preparada para seguir quando os setores internos retomarem o fluxo normal”, orientou Arjona.
Casos que envolvem renda informal, restrições cadastrais, condicionamentos ou necessidade de documentos complementares exigem atenção redobrada. Essas propostas já costumam demandar análises mais detalhadas e podem enfrentar espera ainda maior durante a paralisação.
Para o especialista em financiamento imobiliários, a retomada das ordens de serviço reduz um dos gargalos, mas ainda não permite considerar normalizado o financiamento habitacional na Caixa. Até que haja um acordo entre o banco e os empregados, compradores, vendedores e corretores precisam trabalhar com a possibilidade de prazos maiores, sobretudo nas fases de conformidade, emissão da minuta e assinatura do contrato.





