GESTÃO
23 de setembro de 2026 às 09:45:00
À frente do condomínio, o síndico é um gestor de patrimônio coletivo, nem mais, nem menos
Por: da Redação

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Quem administra um condomínio hoje precisa lidar com orçamento, contratos, segurança, manutenção, legislação, fornecedores, tecnologia e, ainda, com o relacionamento entre moradores (Imagem: Arquivo)
Função deixou de ser apenas operacional e passou a exigir visão estratégica, domínio de tecnologia, controle financeiro e habilidade para mediar conflitos
Chamar o encanador, acompanhar um reparo ou advertir o morador que estacionou fora da vaga. Durante muito tempo, essas eram as tarefas que resumiam o trabalho de um síndico. Essa realidade, porém, ficou para trás. A complexidade dos condomínios contemporâneos transformou a função em um cargo de gestão - e, a cada ano, com exigência mais profissional.
Quem administra um condomínio hoje precisa lidar com orçamento, contratos, segurança, manutenção, legislação, fornecedores, tecnologia e, ainda, com o relacionamento entre moradores. Em empreendimentos mais modernos, entram na lista decisões sobre portaria remota, controle de acesso digital, câmeras inteligentes e ferramentas de inteligência artificial.
Para Marcos Veloso, especialista em gestão condominial com atuação no Vale do Paraíba e Litoral Norte, a mudança é irreversível. “Administrar um condomínio hoje é administrar patrimônio, dinheiro e pessoas. O síndico precisa entender o funcionamento do empreendimento, conhecer os números, acompanhar contratos, prevenir problemas e saber tomar decisões. Não é mais uma função que pode ser conduzida apenas com boa vontade”, afirmou.
Tecnologia: solução ou despesa disfarçada?
A tecnologia chegou aos condomínios como aliada, mas exige critério. De acordo com o especialista, a adoção de sistemas como portaria digital, câmeras com reconhecimento e recursos de inteligência artificial só faz sentido quando há diagnóstico claro da necessidade.
“Não adianta colocar tecnologia no condomínio só porque é uma tendência. É preciso saber qual problema ela vai resolver, quanto vai custar e se os moradores estão preparados para utilizá-la. Tecnologia sem planejamento pode virar apenas mais uma despesa”, alertou.
Veloso lembra que uma portaria digital, por exemplo, pode agilizar o acesso e reduzir custos — mas precisa vir acompanhada de protocolos de segurança bem definidos. O mesmo raciocínio vale para qualquer outro recurso tecnológico: sem planejamento, o investimento vira prejuízo.
O voto de confiança começa na assembleia
A profissionalização da gestão não depende apenas do síndico. Os moradores têm papel decisivo nesse processo, especialmente, na hora de escolher quem vai administrar o condomínio.
Segundo o gestor condominial, a avaliação não deve se limitar à capacidade do candidato de resolver problemas do dia a dia. É fundamental observar se há planejamento financeiro, transparência, manutenção preventiva, controle de contratos e atenção à segurança.
“Um bom síndico não é aquele que simplesmente atende a todas as solicitações. É aquele que consegue identificar prioridades, administrar recursos, ouvir os moradores e tomar decisões pensando no coletivo. Às vezes, a melhor decisão é justamente aquela que evita um problema ou uma despesa maior no futuro”, observou Veloso.
Comunicação e conflitos
Em um ambiente onde pessoas diferentes dividem áreas, regras e despesas, saber dialogar e mediar conflitos tornou-se parte essencial da função. A capacidade de comunicação, muitas vezes subestimada, é hoje um dos principais diferenciais de um síndico bem avaliado. Para o gestor, é preciso equilibrar ouvidos atentos e decisões firmes. “O síndico não pode ter medo de decidir. Mas precisa decidir com base em informação, não em pressão”, resumiu.
Com condomínios mais equipados e moradores mais conectados, a tendência é que a gestão se torne ainda mais técnica. O síndico do futuro — que, em boa parte dos casos, já é o síndico do presente — precisará combinar conhecimento administrativo, familiaridade com tecnologia, planejamento e capacidade de relacionamento.
* A partir de informações da matéria publicada no site A Gazeta.





