top of page

GESTÃO

19 de setembro de 2026 às 09:45:00

Quando o empréstimo deixa de ser um bom negócio e pode virar armadilha ao condomínio

Por: da Redação

PUBLICIDADE

A conveniência do empréstimo depende de dois fatores: a saúde financeira do condomínio e as alternativas disponíveis para bancar o serviço, disse gestora financeira (Foto: Arquivo)

Especialistas alertam que financiamento deve ser último recurso, pois planejamento prévio evita juros e parcelas que apertam o orçamento dos moradores


Muro caído, infiltração estrutural, exigência do poder público. Há situações em que o condomínio não pode esperar juntar dinheiro para resolver o problema. Quando o caixa e o fundo de reserva não cobrem a despesa, o crédito aparece como alternativa para tirar a obra do papel e diluir o pagamento ao longo dos meses. A escolha, no entanto, compromete receitas futuras e pesa no bolso do condômino - e por isso precisa ser muito bem calculada.


Para que serve o crédito


De acordo com Karol Freitas, executiva-chefe de uma plataforma de gestão condominial, o financiamento pode custear desde obras e modernizações até a compra de equipamentos e adequações exigidas por lei. A vantagem, segunda ela, é não mexer na reserva de emergência e evitar que todo o valor saia de uma vez do caixa. Mas, segundo a executiva, a conveniência depende de dois fatores: a saúde financeira do condomínio e as alternativas disponíveis para bancar o serviço.


Freitas apontou três caminhos possíveis, e a escolha entre eles não é automática:


Fundo de reserva — costuma ser a primeira opção em emergências, desde que seu uso não deixe o condomínio descoberto para novos imprevistos.


Cota extra — tende a ser mais adequada quando o valor é administrável e pode ser dividido em poucas parcelas.


Empréstimo — ganha espaço quando é preciso ter uma quantia maior imediatamente, seja para acelerar a obra, seja para negociar melhores condições com o fornecedor.


"Crédito é último recurso", dizem especialistas


O síndico profissional Pablo Soares alertou que o crédito deve ser a última alternativa. Para intervenções previsíveis, como uma manutenção de fachada programada para daqui a dois anos, ele recomendou arrecadar antecipadamente uma taxa extraordinária, ainda que de valor menor. Ao fim do período, o condomínio terá parte ou a totalidade do recurso em caixa — e poderá reduzir ou até eliminar os juros. "O empréstimo deve ser evitado quando o condomínio tem tempo para se planejar", defendeu Soares.


A lógica muda quando o problema não pode esperar. Se um muro desaba e não há reserva suficiente, contratar crédito pode ser a única saída viável. O alerta fica para outro cenário, quando a necessidade frequente de empréstimos costuma ser sintoma de falta de planejamento financeiro e de formação de caixa para despesas futuras.


Quanto guardar?


Para Léo Mack, diretor de operações de outra gestora de condomínios, manter uma reserva compatível com os riscos do empreendimento é o que reduz a dependência de financiamento. Como referência de planejamento, ele sugere um montante equivalente a dois ou três meses dos custos fixos. Para ele, em um condomínio com despesas mensais de R$ 50 mil, isso significa a necessidade de reserva de R$ 100 mil a R$ 150 mil.


Não existe, porém, valor único que sirva para todos. A idade do prédio, as condições da infraestrutura, o número de funcionários e a possibilidade de despesas trabalhistas futuras entram no cálculo. Prédios antigos, por exemplo, tendem a exigir mais intervenções em instalações elétricas, hidráulicas, fachadas e elevadores — e, portanto, reserva maior.


O que pesa na obtenção de crédito


Antes de assinar qualquer contrato de crédito, o condomínio deveria responder a três perguntas: a obra é realmente urgente? O caixa aguenta as parcelas sem comprometer a operação? Existe alternativa mais barata, como cota extra ou uso parcial do fundo de reserva? As respostas definem se o empréstimo resolve o problema — ou apenas empurra a conta para frente.

© Copyright 2009 - Folha do Condomínio.

Todos os direitos reservados.
Artigos assinados não refletem necessariamente a opinião da Folha do Condomínio OnLine

bottom of page