CIDADES
19 de agosto de 2026 às 11:00:00
Iniciativa da Justiça do RS quer formar rede de síndicos contra a violência doméstica
Por: da Redação

Cartilha para síndicos, zeladores, porteiros e moradores ficarem de olhos bem atentos na identificação de sinais de violência, orientar vítimas e salvar vidas (Reprodução: Cevid-TJRS)
A violência doméstica não acontece apenas atrás das paredes. Ela chega às áreas comuns, às vagas de garagem e aos portões eletrônicos. E seu condomínio pode – e deve – ser a primeira linha de defesa
Dados do Atlas da Violência 2026 (Ipea/FBSP) revelam uma estatística alarmante: em 79,9% dos casos, o lar é o palco da agressão. Pensando nisso, o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJ-RS), por meio da Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (Cevid), lançou o Projeto Sentinela, que já conta com a adesão de 89 condomínios no Estado. A proposta é simples e de baixo custo, que pretende deixar síndicos, zeladores, porteiros e moradores de olhos bem atentos na identificação de sinais de violência, orientar vítimas e salvar vidas.
Por que o síndico é peça-chave nessa rede?
O síndico tem visão privilegiada do dia a dia do prédio. É ele quem percebe alterações de comportamento, escuta barulhos incomuns ou recebe queixas de moradores. Com o treinamento certo, essa percepção vira uma ferramenta de proteção. “Os condomínios são comunidades, e a ação coletiva, o cuidado e o engajamento dos moradores podem, sim, salvar vidas”, afirmou a Juíza-Corregedora Andréa Rezende Russo, Coordenadora da Cevid.
O que seu condomínio ganha com isso?
Além de cumprir a Lei Estadual nº 15.549/2020 (que obriga a comunicação de casos suspeitos às autoridades), participar do Sentinela deve:
Fortalecer a imagem do condomínio como um local seguro e acolhedor;
Reduz riscos jurídicos ao seguir as diretrizes legais;
Promover a harmonia entre vizinhos, rompendo o ciclo de isolamento da vítima;
Capacitar a equipe (porteiros e funcionários) para agir com precisão em situações delicadas.
O projeto fornece cartilhas e cartazes com orientações claras. O condomínio que adere ao Sentinela se compromete a Capacitar funcionários e moradores para reconhecer sinais de alerta (isolamento social, marcas de lesão, humilhação em público, mudança brusca de comportamento), Divulgar os canais de denúncia (Ligue 180, emergência 190), Saber como acolher sem invadir a privacidade, orientando a vítima sem julgamentos e Acionar as autoridades em casos de risco iminente, sem hesitação.
“Sabemos que a maior parte dos casos acontece dentro de casa, então nada melhor do que o condomínio estar atento. O conhecimento é muito importante. As pessoas precisam saber o que pode ser feito e que a mulher tem amparo”, disse Rosele Cozza de Souza, síndica em Porto Alegre.
Roberto Fonseca Dalbem, síndico do Condomínio Diamante Azul (Praia de Belas) e idealizador do projeto, conta que a iniciativa nasceu de um grupo de WhatsApp de síndicos. “Distribuímos o material no prédio. Os moradores adoraram e incentivaram muito a ideia”, comemorou. Já o síndico Ricardo Vasconcelos, com mais de 40 anos de experiência, reforçou o alerta, “as aparências enganam muito. Já presenciei uma discussão acalorada e fiquei pensando, será que é só aquilo? Precisamos estar preparados”, contou.
Interessados em saber mais sobre o Projeto Sentinela podem procurar a Cevid, por meio dos telefones (51) 3259-4527 / 7157 ou (51) 99540-7589, ou ainda pelo e-mail: cgj-cmvdf@tjrs.jus.br



