BEM-ESTAR
31 de julho de 2026 às 13:15:00
60+ conectados ao celular: prática inclui cada vez mais esses moradores nos condomínios
Por: da Redação

Realidade se reflete no dia a dia do condomínio, como pedir transporte por aplicativo e até participar de grupos de convivência do próprio prédio (Foto: Divulgação)
Uma pesquisa da Nielsen revelou que idosos passam, em média, 22 horas semanais no celular. Longe de ser um hábito restrito aos jovens, o uso intenso de smartphones se consolidou entre os mais velhos, que lideram o crescimento digital no Brasil. Dados do IBGE mostram que 74,5% das pessoas com 60 anos ou mais já utilizam a internet, um salto significativo em relação ao ano anterior.
Nos condomínios, essa realidade se reflete no dia a dia. Cada vez mais, os moradores da terceira idade usam o celular para tarefas que vão além da comunicação, como realizar transações bancárias, agendar consultas médicas, pedir transporte por aplicativo e até participar de grupos de convivência do próprio prédio.
Integração e autonomia com Inclusão digital no condomínio
A capacidade de aprender e se adaptar às novas ferramentas digitais é uma habilidade que pode ser desenvolvida em qualquer fase da vida. Para a médica geriatra Érica Abjaudi, o apoio da família e da comunidade é fundamental. "Adaptar os dispositivos com letras maiores e recursos de acessibilidade torna a experiência mais confortável", sugeriu a especialista.
A tecnologia é uma grande aliada para combater o isolamento social, um problema comum em grandes centros urbanos. "O celular pode aproximar os idosos de familiares e amigos, além de oferecer estímulo cognitivo por meio de jogos, leitura e cursos online", complementou a médica. Para muitos, o smartphone se torna uma janela para o mundo, especialmente, para aqueles com mobilidade reduzida.
Uso consciente e atenção à segurança
Se por um lado a inclusão digital traz benefícios, o uso excessivo ou inadequado das telas requer atenção. A médica psiquiatra Carla Caroline Vieira alertou para os riscos à saúde mental. "O excesso de telas pode mascarar quadros de solidão ou ansiedade. Familiares e equipes de saúde devem estar atentos a sinais como isolamento social, alterações no sono e irritabilidade", orientou Vieira.
Para os síndicos e gestores, esse cenário abre oportunidades importantes. Promover oficinas de inclusão digital no salão de festas ou no espaço de convivência do condomínio pode ser um grande diferencial para a qualidade de vida dos moradores. Atividades presenciais, como grupos de caminhada, jogos de tabuleiro ou encontros culturais, continuam sendo fundamentais para equilibrar o tempo de tela.
Além disso, a segurança digital é um ponto crítico. É cada vez mais comum que idosos caiam em golpes virtuais ou se tornem vulneráveis a jogos pagos disfarçados de entretenimento. Por isso, o síndico pode atuar como um agente de conscientização, divulgando informações sobre como identificar fraudes e proteger dados pessoais, fortalecendo a proteção de todos os moradores.
A relação do idoso com o celular é um equilíbrio entre amor e ódio. O aparelho que traz praticidade e independência também pode se tornar um "bandido" que rouba a atenção e a paciência. O segredo está em usar a tecnologia a seu favor, sem que ela substitua as conexões e atividades do mundo real, principalmente, dentro do seu espaço de moradia.



