ARQUITETURA
2 de outubro de 2026 às 08:45:00
Modelos híbridos avançam e projetos de escritórios corporativos ganham espaço
Por: Da Redação

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A diversidade de ambientes permite que uma mesma área corporativa comporte momentos de concentração, reunião e interação | Projeto Effect Arquitetura | Fotos: Divulgação
Com a retomada do trabalho presencial e o avanço do modelo híbrido, projetos corporativos passam por transformações que vão muito além da estética: priorizam convivência, cultura e flexibilidade.
Depois de anos de mesas vazias e reuniões por videoconferência com os home offices, os escritórios nas empresas voltaram a ser ocupados. Mas engana-se quem pensa que tudo voltou a ser como antes. A volta ao presencial trouxe novas demandas e redesenhou a forma de pensar os ambientes corporativos.
Em São Paulo, esse movimento já reflete no mercado imobiliário. A taxa de vacância de escritórios de alto padrão caiu para 13,1% no segundo trimestre de 2026, o menor índice em 17 anos, segundo a JLL, empresa de locação de escritórios e serviços imobiliários entre eles facilities. O aluguel médio pedido chegou a R$ 126 por m², alta de 13,7% em um ano.
Para os arquitetos Érick Tonin e Celso Grion, à frente da Effect Arquitetura, o retorno ao escritório não é uma simples volta ao passado. “A pergunta agora é: o que faz valer a pena trazer as pessoas de volta?”, refletem.
Menos mesas fixas, mais convivência
Com o modelo híbrido (mescla de atividades na residência e na empresa) consolidado, os projetos corporativos deixaram de lado a lógica de uma mesa para cada funcionário. Agora, predominam estações rotativas, espaços compartilhados e armários individuais. “Se a equipe não está todos os dias no escritório, não faz sentido manter a mesma metragem de antes”, avaliou Tonin. A esse respeito, a metragem passou a ser pensada a partir do uso real, como as pessoas circulam, trabalham, se reúnem e interagem. “O ambiente precisa ter propósito e estar alinhado à cultura da empresa”, completou Grion.
A volta ao presencial também reacendeu a importância da convivência e da troca espontânea — algo difícil de reproduzir em videoconferências. Segundo pesquisa da WeWork divulgada em maio de 2026, 20% dos brasileiros trabalham em modelo híbrido, 63% em regime presencial e 12% totalmente remoto.
Para os arquitetos, “não se trata de escolher entre casa ou escritório, mas de entender qual é o papel do escritório nesse novo arranjo”, afirmaram. Cada empresa exige um projeto diferente. Escritórios de tecnologia pedem ambientes descontraídos, já os jurídicos, atmosferas mais sóbrias. A acústica também ganhou destaque, com espaços que combinam áreas abertas, salas fechadas e cabines silenciosas.
Localização e retrofit
A transformação também ocorre fora das paredes. A Faria Lima, zona Sul da cidade de São Paulo, segue como endereço de prestígio, mas o alto custo tem impulsionado a busca por regiões como Pinheiros, Barra Funda, Vila Leopoldina e a avenida Rebouças.
O mercado responde com projetos de retrofit — atualização de edifícios antigos — e novos empreendimentos já com pré-locações, sinalizando que as empresas estão planejando suas ocupações com mais antecedência. “O prédio pode estar pronto, mas é dentro dele que a arquitetura precisa responder às novas formas de trabalho”, concluíram os especialistas.









