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ARQUITETURA

10 de setembro de 2026 às 11:45:00

Saiba como, sem derrubar paredes, reforma em apartamento de 125 m² ganha amplitude

Por: da Redação

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A combinação entre madeira e cinza na área gourmet dialoga com a pedra da bancada e os tecidos das cadeiras em projeto do BMA Studio (Fotos: Guilherme Pucci/Divulgação)

Projeto no Ipiranga, em São Paulo, contornou a impossibilidade de remover paredes estruturais e transformou a limitação em solução de integração visual para uma família com uma filha pequena


Em condomínios, uma das primeiras dúvidas de quem vai reformar é “se posso derrubar esta parede?”. Quando a resposta é não — porque a parede é estrutural —, o projeto precisa nascer dessa limitação. Foi o que aconteceu em um apartamento de 125 m² no bairro do Ipiranga, zona Sul de São Paulo. Todas as paredes tinham função estrutural, mas o arquiteto Bruno Moraes, à frente do BMA Studio, transformou o obstáculo em ponto de partida para criar ambientes visualmente mais amplos, acolhedores e funcionais.


“O maior desafio foi justamente transformar a percepção dos espaços sem alterar a estrutura do imóvel. Trabalhamos com materiais, iluminação, marcenaria e um layout muito bem estudado para entregar a sensação de amplitude que os clientes desejavam”, explicou o arquiteto Bruno.


O apartamento foi projetado para um casal com uma filha pequena. A ideia de integração dos ambientes não veio da demolição, mas de escolhas consideradas estratégicas de revestimentos, mobiliário e iluminação.


Hall que antecipa o acolhimento


Logo na entrada, uma poltrona orgânica azul convida quem chega a se sentar e retirar os sapatos, como uma pequena recepção. A composição mistura marcenaria e serralheria, com prateleiras leves que exibem itens de decoração.


Salas integradas em tons terrosos


Na visão do arquiteto, na sala, a personalidade do projeto se revela. Tudo começou pela escolha dos próprios moradores, que optaram por um porcelanato da Portobello, que acabou definindo o restante da paleta. “O piso escolhido trouxe uma neutralidade muito elegante e nos permitiu construir uma composição rica em texturas, com tijolinhos, madeira, couro e acabamentos artesanais. A intenção era transmitir aconchego sem perder leveza”, contou Moraes.


Para atender aos diferentes momentos da família, o layout foi pensado para estimular a convivência. O sofá ocupa a posição central, voltado para a televisão, enquanto poltronas laterais favorecem conversas e podem ser reposicionadas. O couro desgastado e os tons caramelados exploram a atmosfera acolhedora e prática para uma casa com criança. Para evitar monotonia, pontos de contraste foram dosados, como o tapete desenhado sob medida, com formas orgânicas.


“A marcenaria tem um papel fundamental nesse apartamento: organiza a rotina, esconde o que não precisa aparecer e valoriza o que faz parte do dia a dia”, afirmou o profissional.


A integração da varanda ampliou a área social. O destaque é a mesa de jantar em madeira e serralheria, ponto de encontro para refeições e conversas. Uma mesa de apoio nos mesmos materiais funciona como buffet, e um balanço suspenso se tornou o espaço mais disputado para descanso.


Cozinha contemporânea dentro da planta original


Na cozinha, o desafio foi projetar dentro dos limites da estrutura existente. Como a configuração linear não podia ser modificada, cada decisão foi planejada para melhorar a ergonomia sem alterar a planta. “O posicionamento dos armários, os recuos, o embutimento do depurador e até a transição para a lavanderia foram estudados para que a circulação acontecesse de forma natural e confortável”, detalhou o arquiteto.


Na estética, para Moraes, o destaque é a pedra que envolve a bancada em três lados, criando uma moldura monolítica. O backsplash dialoga com o restante do apartamento, enquanto o azul Lord Sethos, da Arauco, busca personalidade e profundidade.


Lavanderia, quartos e suíte


Na área de serviço, uma porta de serralheria permite integrar ou separar os ambientes conforme a necessidade. Armários altos acomodam itens de limpeza e utensílios, e a marcenaria frisada favorece a ventilação do aquecedor. Até a posição do varal elétrico foi estudada para aproveitar melhor a ventilação natural.


O quarto de hóspedes também funciona como home office, sem que uma função comprometa a outra. Já o quarto infantil foi projetado para acompanhar o crescimento da pequena Sophia, com base clara, amadeirados suaves e pontos de rosa queimado. A escrivaninha tem altura regulável. “Quando projetamos um quarto infantil, tentamos imaginar não apenas a criança de hoje, mas também a de cinco ou dez anos à frente. Por isso, criamos uma base neutra, mobiliários que acompanham o crescimento e soluções que permitam adaptações sem exigir uma nova reforma no futuro”, ressaltou o arquiteto.


Na suíte principal, a atmosfera é mais serena. A cabeceira em couro cru, as poltronas e o sofá seguem a linguagem terrosa da área social. No banheiro, o revestimento Itaúnas conecta os espaços, e o box até o teto ajuda a controlar a umidade.


O que moradores e síndicos podem aprender com o projeto


O projeto revela que a ausência de demolições não impede uma reforma transformadora. Em condomínios, porém, é essencial seguir as regras internas e a legislação. Antes de qualquer obra é preciso consultar a convenção do condomínio e o síndico, verificar se a alteração precisa de aprovação em assembleia, nunca remover paredes estruturais sem laudo técnico e projeto de engenharia, contratação de arquiteto ou engenheiro para avaliar as possibilidades, priorizar soluções de layout, marcenaria, iluminação e revestimentos para ganhar amplitude sem mexer na estrutura.


“A suíte precisava representar uma pausa dentro da casa. Mantivemos a mesma identidade visual do restante do apartamento, mas trabalhamos com materiais naturais, tons suaves e poucos elementos, para que o ambiente realmente transmitisse descanso”, concluiu o autor do projeto.

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