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ARQUITETURA

18 de julho de 2026 às 16:30:00

A Alma do Lar: Como a Decoração Afetiva Transforma a Casa em um Pedaço da Nossa História

Por: da Redação

Assinando o Casa Del Valle na mostra boliviana, o arquiteto Eduardo Baldelomar retrata uma casa de campo completa com fachada, salas, cozinha e dormitório, construída a partir de lembranças da avó | Foto: Alvaro Mier


Você já parou para pensar no que seus objetos favoritos dizem sobre você? Não se trata apenas de estética, mas de memória. Uma fotografia antiga na parede, um violão apoiado na poltrona, uma peça trazida de uma viagem especial – esses itens, juntos, contam histórias e revelam muito mais sobre quem ali habita do que qualquer peça de design importada.


Essa é a premissa do arquiteto boliviano Eduardo Baldelomar, que assina o ambiente "Co-Living Chiquitano" na edição 2026 da CASACOR São Paulo. Conhecido por seus projetos que valorizam a memória e a cultura latino-americana, Eduardo defende que a decoração vai muito além de preencher espaços vazios.


Decoração com Significado


Para o arquiteto, a curadoria de um ambiente começa muito antes da escolha dos móveis. "Como profissional, preciso desenvolver uma intimidade muito especial com quem vai morar naquele espaço. É importante entender suas preferências, suas origens, aquilo que emociona essa pessoa e os objetos que marcaram sua vida", explica. Em vez de organizar tudo por cor ou material, ele sugere um caminho mais pessoal: a organização por significado.


No "Co-Living Chiquitano", essa filosofia ganha vida. O espaço é um verdadeiro percurso cultural, com paredes dedicadas à música, à arquitetura, ao artesanato boliviano e à culinária. "Na CASACOR São Paulo existe fotografia, cerâmica, elementos têxteis, madeira, pintura, tecidos, objetos domésticos, livros, plantas e luminárias, tudo organizado por narrativas", revela.


O Ritmo da Composição


Eduardo compara a organização dos objetos à construção de uma música. "A composição precisa ter ritmo e harmonia. Tal qual uma composição musical, os objetos precisam ser distribuídos de forma equilibrada, enquanto cores, texturas e materiais entregam uma sequência visual", elucida. A dica para aplicar isso em casa é observar a estante ou o aparador da sala: muitas vezes, reorganizar o que já existe produz um resultado mais interessante do que comprar peças novas.


Preservando a Memória


Para além do projeto na CASACOR, Eduardo demonstra o poder da decoração afetiva em um ambiente que criou na Bolívia em homenagem ao próprio pai. Reunindo fotos de família, uma antiga máquina de escrever e objetos de uma vida inteira de trabalho, ele transformou um espaço expositivo em um ambiente carregado de afeto.

Para ele, uma casa nunca está completamente pronta. "Aos poucos, a casa passa a registrar o tempo vivido por seus moradores, incorporando novas camadas de significado." A dica final do arquiteto é valiosa: antes de adquirir novos adornos, olhe com atenção para aquilo que já faz parte da sua história. Muitas vezes, os objetos que melhor nos representam estão guardados em uma caixa de lembranças, esperando apenas uma nova forma de serem apresentados.


Sobre o arquiteto: Eduardo Baldelomar, natural da Bolívia, é veterano na CASACOR e atualmente firma presença no Brasil com seu escritório, que possui sede em Santa Cruz de la Sierra e em São Paulo, valorizando o intercâmbio cultural da América Latina.

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